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31.07.2003 | 03h00

Pompoarismo, nova técnica para seduzir

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Sugar, morder, massagear, ordenhar. Estaremos falando de uma boca nervosa? Um bebê faminto, talvez? Somem-se a esses os atos de algemar, expulsar e guilhotinar. Será então uma rainha dominatrix, sonho de qualquer sadomasoquista? Nada disso. Trata-se apenas e tão somente vagina. Graças ao pompoarismo. A técnica, que já mereceu registro cinematográfico (O Império dos Sentidos, de 1976, possui uma cena que remete à técnica), consiste em utilizar os músculos vaginais, dispostos em três anéis (na entrada, no meio e próximo ao colo do útero), para "massagear" o pênis do parceiro e ter mais prazer no ato sexual. Hoje, dia em que o orgasmo até ganhou sua data específica, nada mais moderno é conhecer esta técnica.

Se o nome parece estranho, a prática, mesmo numa forma mais rudimentar, pode ser mais popular do que se imagina. Mesmo as pessoas sexualmente ativas que nunca ouviram falar no assunto já podem ter experimentado algo do gênero. Pelo menos quarenta anos atrás, o primeiro volume da Enciclopédia Nossa Vida Sexual já recomendava à mulher "manter tensa a vagina no decorrer da vida sexual", pois "a estreiteza da vagina é um dos mais poderosos estimulantes do prazer".

Porém, para que a esposa sequer pensasse em se descuidar, o dinossáurico doutor Fritz Khan apelava para o terrorismo: "A mulher com prolapso da vagina sofre de freqüente necessidade de urinar, coceiras, irritações, é feia esteticamente e destituída de atrativos eróticos".

Num grau menos hiperbólico (e mais são), a falta de erotismo, interesse e auto-estima quase destruíram o casamento de Amanda e Guilherme (nomes fictícios). Juntos há dez anos e com uma filha de seis, até o ano passado a relação entre eles ia ladeira abaixo. "Quando casamos, a coisa já estava meio sem graça. Com o tempo, só piorou", confidencia Guilherme, comerciante paulistano de 34 anos.

Foi ele quem descobriu o pompoarismo num programa de TV e deu a dica para a esposa. Cauteloso, ligou antes para se informar melhor sobre o curso. E convenceu Amanda a frequentá-lo. "Ele ficou meio constrangido, com medo de me magoar, mas optou por falar comigo em vez de procurar uma aventura por aí", conta Amanda, uma dona de casa de 30 anos. "Ele foi muito sincero. A gente tem uma família linda e não quer destruir isso."

Para ser uma pompoarista de primeira, não é preciso nenhum dom especial. Aqui, a palavra-chave é dedicação. Grande parte dos exercícios pode ser feita em qualquer lugar, já que ninguém estará vendo mesmo. Enquanto está assistindo à TV, trabalhando ou na fila do banco, a mulher pode brincar de controlar os anéis circunvaginais sem problemas. E, quando estiver sozinha - ou com o parceiro -, pode utilizar acessórios específicos para o treinamento.

O mais usado é o ben-wa, uma série de bolinhas, mais ou menos do tamanho das de pingue-pongue, unidas por um cordão. Um vibrador também pode ser utilizado. Amanda lembra que demorou quatro meses para dominar a técnica, que exige cinco a dez minutos de treinamento diário.

"É realmente uma malhação íntima", ressalta a especialista Stella Alves, 36 anos. "A maioria das mulheres malha e cuida do corpo todo, menos do órgão genital. Brinco dizendo que, como o pompoar ela pode chegar aos 90 parecendo uma garota de 17 anos."

Uma das pioneiras do pompoarismo nos anos 90, Stella é hoje o nome mais conhecido na área. Dá aulas por todo o Brasil, criou uma versão do curso por correspondência e é autora de Pompoar - A Arte de Amar, pela Editora Madras. A professora salienta que seu curso, de quatro horas de duração, não foca apenas os exercícios que mais tarde serão praticados em casa. "Abordo a auto-estima, a importância de ser e sentir-se sexy", afirma. O resultado, garante ela, é um prazer mais intenso para a mulher e para o homem.

A técnica de controlar os músculos vaginais é antiga e já foi citada no tantrismo e no Kama Sutra. O termo pompoar vem do tâmul ou tamil (pahn-pour), um dialeto falado no sul da Índia e no Sri Lanka. Não há muitos registros históricos, mas corre que surgiu no Oriente há mais de 3 mil anos e era transmitida de mãe para filha, até ser considerada suja e pecaminosa pelo islamismo e mais tarde pelo puritanismo inglês. Sobrou então para as moças sujas e pecaminosas - as prostitutas -manter viva a tradição.

Hoje, muito da fama desta herança deve-se à abordagem exótica e exibicionista dos pussy shows. Comuns na Tailândia, considerada o centro mundial do pompoarismo, apresentam pequenas e delicadas tailandesas fumando, bebendo água, abrindo garrafas e atirando bolinhas para a platéia - tudo com a vagina.

Longe do exibicionismo acrobático, uma pompoarista na cama, dizem, é de extasiar. Palavra de homem. "Não apenas reacendemos o que estava apagado como nos descobrimos. Mudou tudo", afirma Guilherme. "Hoje recomendo até para os meus amigos", completa. Além da de Amanda e Guilherme, Stella coleciona outras histórias bem-sucedidas.

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