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Cuiabá, Quinta-feira 28/05/2026

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“Celebrar ‘Origem’ 28.05.2026 | 18h13

Entrevista com Maneva sobre 20 anos de carreira

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Foto: Leonardo Rocha

Foto: Leonardo Rocha

Depois de emocionar fãs em todo o Brasil com uma turnê histórica, o Maneva anuncia a reta final da Maneva – 20 Anos, Origem. O projeto chega ao seu encerramento em São Paulo, no palco do Espaço Unimed, após 73 shows e um público superior a 200 mil pessoas.

 

A apresentação será no dia 11 de julho (sábado) e os ingressos já estão disponíveis.

 

Em Maneva 20 Anos, Origem, o grupo revisita sucessos que marcaram a carreira, além de reforçar a conexão com diferentes gerações de fãs. O icônico grupo de reggae se despede dessa fase celebrando sua essência, sua história e, principalmente, o público que acompanhou cada passo dessa caminhada.

 

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Formada por Tales de Polli (voz), Felipe Sousa (guitarra), Fernando Gato (baixo), Diego Andrade (percussão) e Fabinho Araújo (bateria), a banda é uma das mais influentes do reggae no Brasil, conhecida por hits como Lágrimas de Alegria – indicada ao Grammy Latino de Melhor Canção em Língua Portuguesa –, Luz que Me Traz Paz (2012) e O Destino Não Quis (2015).

 

A banda, que concedeu uma entrevista exclusiva a esta coluna, acumula 42 certificações, 4 milhões de ouvintes mensais no Spotify e mais de 2,9 bilhões de plays combinados.

 

Com 14 álbuns lançados, o Maneva se destaca por shows que transformam apresentações em espetáculos de celebração e ligação com o público.

 

Confira a entrevista:

Depois de 73 shows e mais de 200 mil pessoas, o que essa turnê revelou sobre o Maneva que talvez vocês mesmos ainda não tinham percebido?

 

Maneva: Eu acho que a grande revelação mesmo é a certeza de fazer o que a gente gosta mesmo, certeza de que a gente gosta na estrada, de compartilhar nossa música com a galera, estar num tête-à-tête mesmo, sentindo a energia do público. Às vezes estamos mais empenhados em produzir, em produzir o show, e, quando você sai com uma turnê desse tamanho, você vê a receptividade da galera, você vê a emoção mesmo, a galera se emocionando. Você vê que você muda a vida ali, pelo menos por duas horas, duas horas e meia, a pessoa realmente esquece de todos os problemas e está ali de corpo e alma com você. Realmente é a grande revelação dessa turnê.

 

Vocês têm um público muito grande hoje, graças ao sucesso que vocês alcançaram. Essa pergunta, ela vai soar um pouco particular para cada um aqui, mas como que vocês se sentem depois de ter realizado um show, de ter percebido a conexão de vocês com o público? Em outras palavras, como fica o estado emocional de quem é Maneva?

 

Maneva: Ah, o estado emocional varia entre estarmos agradecidos demais mesmo, feliz demais com o propósito que foi determinado para nossa vida, estar cumprindo esse propósito.

 

‘Origem’ é um nome carregado de significado. Em algum momento dessa tour vocês sentiram que estavam reencontrando versões antigas da banda?

 

Maneva: Eu acho que as versões da gente mesmo, né? Eu acho que todo dia é dia de mudança, e ainda mais quando você acumula aí 20 anos. Imagina! Nós éramos umas pessoas quando começamos. Hoje, nós somos outras pessoas completamente diferentes e acho que é justamente essa onda que traz o peso do nome ‘Origem’ mesmo. Nós não devemos nunca esquecer quem éramos quando a gente começou. O que a gente queria lá atrás, e, e a gente vê que a gente conquistou até muito mais do que, pô, a gente jamais sonhou assim. Então, eu acho que celebrar origem é um ponto de partida.

 

Encerrar essa turnê em São Paulo, cidade onde tudo começou, traz mais sensação de celebração ou de fechamento emocional?

 

Maneva: Ah, a celebração... A gente não tem noção de fechamento emocional, não. A gente gosta de celebrar, fazer festa. É o ciclo que se fecha quando acaba, e eu acho que os 20 anos ele não acaba, quando a gente encerra uma turnê. É justamente para nascer uma coisa nova, então acho que, quando a gente fala de encerramento, já estamos pensando é na próxima turnê, no próximo trabalho. E um ciclo compondo com sucesso, um ciclo concluído com sucesso é motivo de celebração.

 

‘A nostalgia faz parte da vida e ela faz parte da essência da magia desta turnê"


Em um mercado que exige velocidade e renovação constante, como foi sustentar uma turnê comemorativa sem cair apenas na nostalgia?

 

Nós caímos na nostalgia também um pouco! Acho que a nostalgia, ela faz parte da vida e ela faz parte da essência da magia desta turnê. Só que, durante a turnê de 20 anos, a gente já estava colocando novos lançamentos também, justamente para você não perder essa onda. Não acho que nem é a velocidade do mercado, acho que é de necessidade mesmo. De você estar um ano com uma turnê de 20 anos, você colocar coisa nova também para mostrar que, que as coisas estão acontecendo. Acho que esse equilíbrio não deixa a parada ficar aquele nostálgico cafona, né? Aquela coisa meio triste, meio “nossa, aquele lá atrás que era da hora”. Aquele papo nada a ver. Então, nós conseguimos equilibrar bem essa parada aí. Acho que foi nostalgia na dose certa.

 

Ou seja, vocês trouxeram essa nostalgia, mas que ela fosse leve para ser apresentada.

 

Maneva: Exato. Nostalgia é bom, tudo é bom, desde que não seja muito, né?

 

Existe alguma música do repertório que ganhou um novo significado ao vivo nesses 20 anos?

 

Maneva: Eu acho que foi a 'Vá Viver’. Foi uma música que cresceu junto com a turnê 20 anos. Era um espaço do que que eu pegava o violão e acabava tocando Legião (Urbana), uma canção ali que não era da gente, mas que significava muita coisa para nossa geração, para nossa carreira. E a 'Va Viver’ trouxe justamente isso. Ela foi uma música que cresceu muito junto com a turnê. E é uma música que traz aquela urgência da gente viver mesmo, sem se importar com o que a galera está falando. E quando você está em uma turnê dessa na estrada, você também liga um grande foda-se para as críticas também, tá ligado? Então, acho que foi meio que um tema que ela ressignificou. Era uma música que eu tinha feito inspirada na minha filha que tinha nascido, e ela tomou um novo significado nessa turnê de 20 anos.

 

O Maneva conseguiu algo raro: atravessar gerações mantendo relevância. O que vocês acreditam que fez a banda ultrapassar a bolha do reggae?

 

Maneva: Cara, o que ultrapassou a bolha do reggae foi o Tudo vira Reggae. Eu acho que é incrível pensar que um projeto de reggae foi justamente o que estourou esta bolha. É um projeto que somos muito gratos a ele. Foi uma algo que ressignificou nossa carreira também. Sempre tivemos essa onda de ser do autoral, de fazer o autoral. De não compartilhar muito muitas composições fora do Maneva, sabe? Era uma parada que a gente ia bem fechado. O Tudo vira Reggae foi muito bom da gente se experimentar de intérprete. Deu uma guinada aí, principalmente. Crescemos como músicos, como profissionais. E nós começamos aliar a isso também: receber músicas de outros compositores. Isso abriu o espaço pra gente cantar músicas de outros compositores também, como se fosse nossa, sabe? Então, acho que foi justamente isso que acabou estourando a bolha.

 

Maneva revela futuros feats
Os feats que estão vindo aí, Lauanda Prado, Turma do Pagode, teremos outros que serão lançados agora. Vai ter música lançada com o Sorriso Maroto, com a Tati Portela, com o Gustavo Mioto. O Tudo vira Reggae foi uma mudança de paradigma, não só para o grande público, de furar a bolha do grande público, mas de furar nossa bolha também.

 

“É incrível pensar que um projeto de reggae foi justamente o que estourou a bolha do reggae”


O reggae brasileiro passou por muitas transformações nas últimas duas décadas. Onde vocês enxergam o Maneva dentro dessa evolução?

 

Maneva: Cara, eu acho que dentro da cena do reggae a gente hoje assume um certo protagonismo, né? Eu acho que isso daí não tem nem como não falar. É uma parada clara. E, tipo, eu acho que, aliado a isso, nós compartilhamos o protagonismo junto com outros artistas. E vemos que todo mundo muito engajado assim, em tá fazendo reggae, sem executar muito julgamento, porque no reggae tinha aquela parada de: “ah, mas fulano não é reggae”, “ah, fulano é o root, ah, não, eu sou reggae, ah, eu sou não sei o quê. E isso, ou bem ou mal”, e isso acabou atrasando um pouco o movimento, o estilo. Eu acho que nesse momento, todo mundo se tocou que, que o reggae é reggae e quem faz reggae está dentro do mesmo balaio. Eu acho que é justamente isso que está agora alavancando o protagonismo do reggae. E eu tenho certeza que eu falava, a gente falava isso há 5 anos atrás, você acompanha, que a gente falava a médio e longo prazo, que hoje a gente chegou na parte do curto prazo, que o reggae já é protagonista em grandes festivais. Não tem como mais deixar o reggae de fora do protagonismo, do mainstream.

 

Teve algum momento dentro desses 20 anos que vocês chegaram a pensar: “agora o Maneva realmente virou gigante”?

 

Maneva: Nunca tivemos essa parada. Acho que a gente vai fazendo, vai construindo, vai trabalhando de pouquinho em pouquinho. É lançando (músicas), fazendo as turnês, fazendo o que a gente sabe fazer. É o que eu falo, dos 20 anos, você olha lá para trás, você vê que, tipo, foi um caminho enorme  “Porra, tá gigante a parada. Tá gigante”  mas acho que a gente nem encara dessa forma, não. Acho que, na real, a gente não tem nem a noção real do que o Maneva representa. Tanto que, para nós, é uma parada leve e gostosa de se fazer.

 

Existe alguma cicatriz invisível desses 20 anos que o público nunca soube?

 

Maneva: Ah, várias! Várias! Acho que o caminho da música, o caminho da carreira, é tortuoso. E mesmo quando você está bem, igual você falou: “Ah, você está gigante”, tem os perrengues. Então, a gente faz de tudo, cara, é matar ou morrer mesmo! Deixar de ver o filho nascer, perder várias datas de seus filhos crescendo que não volta mais. Você olha um vídeo que você não, não viveu. Então, e tudo isso em sacrifício ao propósito, sacou? E eu acho que essa é a maior cicatriz que fica. A gente abre mão de tudo por um propósito que é coletivo.

 

Mesmo depois de tantas conquistas na carreira, ainda há algo que inquieta o Maneva profundamente?

 

Maneva: Cara, tem muita coisa! Tem festivais que a gente não fez. Feats que a gente gostaria de fazer. Acertar aquele “hitzão” nacional...

 

Vocês sentem que ainda não rolou esse hit?

 

Maneva: Tipo, você pegar tipo ‘Um Sol’ do Vitor Kley, sabe? E acho que ele foi um dos últimos a fazer essa parada. Ele foi um dos únicos a acertar hits nacionais mesmo, Morena, o Sol, ... O Maneva tem grandes hits, mas não num padrão nacional. Eu acho que isso falta pro Maneva também. Tem uma série de coisas, né? Pô, eh, muita coisa, cara, muita coisa! A gente vê um horizonte gigante..

 

Se vocês pudessem deixar apenas uma mensagem definitiva sobre a turnê ‘Origem’, qual seria?

 

Maneva: “Ouça nossa próxima música e compartilhe sem moderação.”

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