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clássicos do rock no top 10 12.07.2026 | 14h50

Venda de vinil cresce impulsionada pelo público mais jovem

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Nicolly Costa - Especial para o GD

redacao@gazetadigital.com.br

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A venda de discos de vinil tem atraído pessoas de diferentes gerações, especialmente os mais jovens. Mesmo com a consolidação das plataformas de streaming, as mídias analógicas permanecem no interesse público. O mercado da música física vem registrando aumento de consumo ao longo dos anos, movimentando lojas em diversas regiões, inclusive em Cuiabá.

 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Recording Industry Association of America (RIAA), em 2025 foram vendidos cerca de 46,8 milhões de discos de vinil no mundo. Já no Brasil, este mercado arrecadou R$ 4 bilhões. Essa comercialização foi impulsionada pelo aumento no interesse pelo consumo musical e pelo fortalecimento de diferentes formatos de venda.

 

Em Cuiabá, a loja Raro Ruído se consagra como uma das principais do segmento na região, sendo bastante frequentada por um público diverso e de diferentes gostos musicais. O proprietário, Edson Xavier, afirma que o interesse pelo vinil cresceu nos últimos anos, e o perfil dos clientes deixou de ser formado apenas por colecionadores assíduos; hoje, tornou-se comum encontrar curiosos e compradores casuais.

 

“Hoje recebemos desde colecionadores e apreciadores de áudio até jovens curiosos e interessados no formato”, afirma Edson.

 

A loja surgiu a partir da paixão de infância de Edson, que sempre foi incentivado pelos pais a colecionar. O estabelecimento físico nasceu depois que ele comprou um grande lote de discos de um sebo em São Paulo. A partir dessa oportunidade, o proprietário decidiu abrir o próprio negócio.

 

“Acabei comprando um lote inicial grande de um sebo do interior de São Paulo e surgiu a ideia de abrir uma loja de cultura”, relata.

 

O dono da Raro Ruído complementa que a demanda do público jovem acontece principalmente pela experiência sensorial oferecida pelo vinil. Muitas dessas pessoas estão descobrindo o formato pela primeira vez, já que não tiveram contato com a mídia no passado.

 

“Os jovens têm descoberto e se interessado com frequência pelo mundo dos discos, principalmente pelo apelo visual e pela peculiaridade que a audição analógica proporciona”, explica.

 

Edson relata que os títulos mais procurados são de artistas clássicos do rock, como Beatles, Pink Floyd e Led Zeppelin, o que mostra como essa subcultura é forte no consumo de vinil. Contudo, na ala da música brasileira, os destaques ficam para Chico Buarque, Caetano Veloso, Legião Urbana e Gal Costa.

 

Mesmo com o passar dos anos, esses artistas consagrados não perdem o prestígio e continuam presentes no cotidiano das pessoas, para além do ambiente digital. Além do rock, estilos como MPB e música pop tendem a ser os mais procurados na loja.

 

Os lançamentos de música pop em vinil tornaram-se um fenômeno, especialmente entre os mais novos. Um exemplo disso é a cantora estadunidense Taylor Swift: seu álbum The Tortured Poets Department vendeu mais de 1,6 milhão de cópias apenas nesse formato em 2025.

 

Outro local muito frequentado em Cuiabá para a compra de LPs é o Tcha por Disco. De acordo com os fundadores, Priscilla Leventi e Max Amorim, a ideia do estabelecimento surgiu do interesse mútuo por música e do apreço pela mídia física.

 

“Inicialmente, a ideia era apenas circular, vender o que eu não queria mais. Mas essa prática acabou crescendo e virou loja, principalmente porque o Max já organizava uma feira de vinil na cidade”, relata Priscilla.

 

O Tcha por Disco recebe clientes de todas as idades, desde crianças até idosos. Esse sucesso se deve tanto à diversificação do catálogo quanto à proposta dos donos de criar conexões reais entre o público e a música física.

 

Mesmo com as facilidades tecnológicas do streaming, a busca pelo vinil continua crescendo, movida pelo desejo de desacelerar e experimentar a música de outra forma.

 

“O streaming oferece acesso a milhões de músicas, mas o vinil vai além da audição: há o contato físico, a arte da capa, o design, a história por trás do álbum e a construção de memórias. O vinil convida a ouvir um álbum inteiro, como foi pensado, sem pular faixas e sem pressa. Cria, assim, um momento de desconexão do online que muitas pessoas buscam hoje”, relatam os donos do Tcha por Disco.

 

Apesar do foco no analógico, a tecnologia continua presente na rotina dessas lojas, especialmente na divulgação. As redes sociais ampliam o alcance dos negócios e permitem que consumidores de outras localidades conheçam os espaços, impulsionando o consumo para novos públicos.

 

“São veículos de enorme alcance e ajudam a atingir um público que não está na sua região, proporcionando mais volume de vendas para o empreendedor deste ramo”, ressalta Edson.

 

As mídias digitais e os formatos mais recentes ocupam um espaço central na rotina da atual geração. No entanto, é notável como os formatos físicos, capitaneados pelos discos de vinil, resistem ao tempo e continuam vivos no cotidiano da população.

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