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Criança não namora 03.06.2026 | 08h49

Você sabe o por que incentivar crianças a ter ‘namorinhos’ pode ser um problema?

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Imagem gerada por Inteligência Artificial/ChatGPT

Imagem gerada por Inteligência Artificial/ChatGPT

Quando eu tinha 7 anos, um colega chegou na sala de aula acompanhado da mãe e da diretora da escola. Ele carregava um vaso de flores amarelas com um cartão cheio de barquinhos e uma mensagem de amor.

 

Sem fazer rodeios, a diretora disse que ele queria entregar para uma colega de quem ele gostava muito e chamou meu nome para ir lá na frente de todos. Na mesma hora, todas as crianças começaram a rir muito e gritar “tão namorando”.

 

Eu lembro até hoje da raiva e da vergonha que eu senti naquele momento, por mais que todos os envolvidos tenham tido boa intenção. Afinal, eram os anos 1990.

 

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Na saída, meu pai me perguntou o que era aquilo. Eu expliquei o que tinha acontecido e que achava que tinha sido obrigada a namorar com um garoto. Então ele me acalmou e disse: “Fica tranquila, criança não namora e vocês não estão namorando”.

 

No outro dia, levei um presentinho para esse colega (que também era só uma criança que foi incentivada por adultos!) e um cartão que agradecia os sentimentos dele, mas reforçava a nossa amizade de criança.

 

Não é só brincadeirinha

Incentivar um sentimento pela ótica de um adulto ou fazer uma brincadeira que parece inocente pode causar constrangimento e adiantar etapas que as crianças ainda não estão preparadas para vivenciar, como antecipar a sexualização e reforçar estereótipos de gênero.

 

Na infância, os vínculos são construídos principalmente por amizade, brincadeira, confiança e convivência. Não por gestos românticos que só fazem sentido para adultos.


Mas e o primeiro amor?

Sim, nessa fase começamos a lidar com os primeiros sentimentos de admiração pelo outro. Começamos a achar uns mais bonitos que os outros, mais inteligentes ou engraçados.

 

Mas esses sentimentos acontecem de maneira espontânea, inocente e, principalmente, de forma platônica. Eles não são claros e estão em desenvolvimento como todo o resto da criança.

 

Por isso, incentivar ou nomear esses sentimentos pode constranger uma das partes, porque, como no meu caso, podem ser não correspondidos.

 

Vale ressaltar aqui que atitudes de carinho e de agrado entre crianças podem, sim, ser incentivadas. Elas só não podem ter uma conotação romântica nem pública.

 

E lembre-se: a infância não precisa ser apressada. Quando deixamos as crianças viverem suas amizades sem rótulos nem expectativas, damos espaço para que construam relações mais livres e saudáveis.

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