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Claudinet Coltri - A | + A

09.02.2017 | 00h00

Educação, Truco e Dourada

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Infelizmente, quando perguntamos às pessoas sobre a confiança no trabalho de um recém-formado, a resposta, muitas vezes, traz um resultado de nível baixo. Por que será?
Obviamente, a resposta é muito complexa e abrange muitos aspectos, como maturidade, decisões políticas no âmbito da educação, educação dentro de casa, práticas educativas dentro de todos os ambientes escolares etc. Já dizia Peter Senge,em A V Disciplina, que os problemas de hoje vêm das soluções de ontem.
Grosso modo, podemos dizer que um dos marcos foi a perda do valor social do ensino profissionalizante nos anos 70 e 80, desembocando em mudanças mais profundas nos anos 90. Todas essas questões, incluindo a validação pelos RHs, que deixaram de valorizar esse tipo de ensino na hora da contratação, acabaram empurrando os jovens para o Ensino Superior. Com isso, o foco dos pais e alunos deixou de ser a formação e passou a ser o vestibular, fazendo com que a qualidade do ensino, que passou a ser massificado e apostilado, começasse a causar problemas de qualidade do aluno do ensino superior, impactando, por consequência, na qualidade do graduado.
Via de regra, podemos dizer que o técnico de antigamente era mais respeitado que o recém-formado no terceiro grau, hoje. E o mercado, que validou tudo isso, sofre com a falta de profissional, tanto com formação técnica, quanto graduado, no índice de qualificação desejado, em várias áreas.
Tentando resolver essa pendenga, houve uma valorização exacerbada da pós-graduação, no sentido de deixar de ser um diferencial e se tornar obrigação. Com fraca formação de seus pretendentes, em vários casos, a especialização teve que se reposicionar e trabalhar aspectos e conhecimentos que deveriam ser da graduação, além de lacear o processo seletivo. Obviamente, não funcionou a contento e o sistema empurrou para frente. Hoje, por fim, só se fala em doutorado. O mestrado, por ser condição sinequa nonnos editais de doutoramento, também já está virando ‘carne de pescoço‘.
No fim, o que estamos fazendo é trocar o Truco pela Dourada. Nela, o Zap, maior valor no primeiro, vale quase nada. A Dama (Dourada) por sua vez, vale mais do que o Zap dentro do próprio jogo, mas equivalente a ele, quando comparado ao Truco. No fim, muda muito e nada muda. Tanto o lato quanto o strictosenso precisam existir para aprofundar o estudo na busca pelo exímio, mas, não para ser o padrão. E o padrão, para que as coisas funcionem, precisa ter grau de excelência. E é obrigação da formação superior trazê-la.

Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos. Website: www.coltri.com.br - E-mail: coltri@coltri.com.br - facebook.com/coltrijunior.

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