01.12.2016 | 00h00
Dia 29 de novembro de 2016: três grandes desastres contra a vida. Um:com o time da Chapecoense. Acidente.Talvez como fator primordial a negligência, caso seja provado que a aeronave teve pane seca. Vamos aguardar. Setenta e seis vidas se foram. Enquanto isso, nas salas de ‘justiça‘:
Dois:foi aprovada a PEC dos gastos públicos em 1º turno. A Emenda é um perigo porque muda os critérios de gastos mínimos com a Educação e Saúde, passando a ter como base o ano anterior, mais a inflação, independente da arrecadação (como é hoje: 15% da arrecadação para a saúde e 18% para a educação).
Segundo estudos do IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a saúde no Brasil poderá perder R$ 743 bilhões nesse período, exatamente numa época de envelhecimento rápido da população (o número de idosos dobrará nos próximos 20 anos). Aliás, a proposta é economicamente estúpida, porque, se quisermos economizar, devemos pura e simplesmente fixar o teto na receita (aliás, como já o é), e não na inflação. Caso aumente a recessão, o governo poderá continuar gastando mais do que recebe? Lembre-se: com a Emenda, a base é o gasto do ano anterior, mais a inflação, independente da arrecadação. Caso aumente a receita, o que ele fará com o dinheiro que sobra? Deixará guardado, enquanto as pessoas agonizarão nos hospitais?
Três: o grande desastre gerado pelo STF, ao descriminalizar o aborto até o 3º mês de gravidez. Falo como profissional de saúde. A coisa é simples: a mulher pode tomar antibiótico de uma forma tranquila nesse período? Pode fazer radiografias? Pode fumar, beber, usar drogas? Isso tudo atrapalha o desenvolvimento da criança? Se puder, tranquilo, não há vida. Viva o aborto!Pode? Não pode. Portanto, há vida (inclusive, dá para ouvir o coração da criança a partir da 5ª/6ª semana). E, se há vida, o aborto a tira, mata (por motivos biologicamente óbvios).
O fato é que precisamos parar de tratar o aborto como um tabu religioso. A questão é biológica, seja um ser enviado por Deus, seja a vida um acaso da natureza, isso não importa. Se achamos por bem protegê-la na fase extrauterina, é lógico que na intrauterina também devemos fazê-lo. Não há diferença. É só uma questão de fase de desenvolvimento biológico, fisiológico e anatômico.
Enfim, ontem se foi uma Chapecoense. Com as outras duas decisões, tantas outras irão, com outras cores, com outros nomes (ou mesmo sem nomes, ainda), sem comoção, sem alarde...
Claudinet Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos. Website: www.coltri.com.br - E-mail: coltri@coltri.com.br - facebook.com/coltrijunior.
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