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15.01.2025 | 12h34

Alagamentos em Cuiabá

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Caiubi Kuhn

Divulgação

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Mais uma vez, durante o período chuvoso, ruas e casas de Cuiabá foram novamente tomadas pela água. Inundações e alagamentos são problemas recorrentes na capital mato-grossense, causando diversos danos econômicos, sociais e ambientais. Em alguns casos, como o ocorrido em 2001, fortes chuvas com precipitação de 129 mm resultaram na morte de 15 pessoas e deixaram cerca de 5.000 desabrigados, evidenciando a necessidade de uma atuação forte do município na política de proteção e defesa civil. Este texto aborda o cenário existente em Cuiabá e a importância do planejamento e da prevenção.


No último domingo (12/01), segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), choveu 103 mm em Cuiabá. Para contextualizar, isso significa que, para cada metro quadrado, houve um acúmulo de 103 litros de água. Este volume representa cerca de 40% do total previsto para todo o mês. Conforme registros do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a média histórica de chuvas para janeiro, entre 1991 e 2000, foi de 238,3 mm. Para comparação, em janeiro de 2024, choveu apenas 134,1 mm em todo o mês.


Eventos de chuvas intensas não são exclusivos de Cuiabá e ocorrem com frequência em outras cidades de Mato Grosso, como Cáceres e Campo Novo do Parecis. Além disso, rios como o Cuiabá possuem ciclos de inundações registrados historicamente. Em 1974, o Rio Cuiabá alcançou a marca de 10,77 metros, desabrigando cerca de 20 mil famílias em toda a Baixada Cuiabana.


Certamente, alguns leitores podem questionar: "Mas o que tenho visto é uma forte seca." De fato, nos últimos anos, a seca tem predominado. O último período longo de seca na região, anterior ao atual, ocorreu entre 1963 e 1973. Ou seja, os anos que antecederam a grande cheia de 1974 foram marcados por forte estiagem, o que indica a possibilidade de que o atual ciclo de seca termine com um novo evento de cheia na bacia do Rio Cuiabá. Apesar de o Lago do Manso poder reter parte do volume de água, sua influência é limitada a uma porção da margem esquerda do rio. Novos ciclos de cheias do Rio Cuiabá podem voltar a acontecer, assim como novos eventos de chuvas intensas irão voltar a ocorrer, e a gestão municipal precisa estar preparada para isso.


Para que Cuiabá possa lidar de maneira eficiente eventos de chuvas intensas, inundações ou mesmo secas, é fundamental estruturar a Defesa Civil de forma técnica e integrar ações de prevenção ao planejamento urbano. Início este ano com esperança de que avanços ocorram. Apesar das minhas diferenças políticas com o prefeito Abílio Brunini, participamos juntos, em diversos momentos, de debates e ações sobre a política de Defesa Civil. Em 2017, enquanto vereador, Abílio foi o único parlamentar a participar de um evento realizado pelo CREA-MT, na Assembleia Legislativa, para discutir risco geológico, proteção e Defesa Civil. Já em 2023, dialogamos novamente, agora com Abílio como deputado, sobre a necessidade de melhorias na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Dessa conversa, nasceu o texto do Projeto de Lei 1508/2023, que busca fortalecer a atuação técnica de estados e municípios nesse âmbito. O projeto já foi aprovado na Câmara dos Deputados e atualmente tramita no Senado.


A criação do auxílio emergencial para famílias atingidas e a reorganização da Defesa Civil na gestão municipal foram ações acertadas da nova administração. No entanto, muitos desafios e medidas são necessárias para os próximos anos. O cenário atual de mudanças climáticas aponta para uma tendência de aumento nos eventos extremos, e tanto Cuiabá quanto Várzea Grande precisam estar preparadas para isso.


Investir em prevenção e planejamento é o caminho mais seguro e econômico. Estruturar a Defesa Civil de forma técnica, planejar adequadamente o uso e ocupação do solo e promover ações educativas são passos que podem aumentar significativamente a resiliência climática, garantir mais segurança para a população e reduzir os impactos causados por eventos extremos.


Caiubi Kuhn é geólogo, doutor cotutela em Geociência e Meio Ambiente (UNESP) e Environmental Sciences (Universidade de Tubingen), professor na UFMT e presidente da Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO)

 

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Comentários

Jandira Pedrollo - 15/01/2025

Como sempre excelente o artigo de Caiubi. Não podemos "esquecer" (ou ignorar) que a avenida beira rio foi projetada e construída após a enchente de 1974 inclusive para servir de "dique" limitador das áreas que poderiam ter ocupação de uso prolongado. Porém no inicio dos anos 2000 foi liberada a construcao de edifícios de apartamentos eliminando grande parte da planície de inundação E ainda, que na região do parque de exposições e do São Mateus havia um bairro populoso que foi extinto para evitar que novos eventos de enchente ou inundação viesse a ocorrer prejudicando a população residente. Há que se lembrar também que toda aquela região foi também atingida pela enchente de 1995, a qual atingiu as mesmas proporções que a de 1974, em torno de 10,50m. E o que foi feito pelos gestores e legisladores ate então? Perpetuar a fixação da população em areas de risco da cidade. Não por falta de planejamento, mas por omissão ou mesmo intromissão na legislação urbana vigente.

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