16.06.2026 | 12h02
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Com a chegada do Dia dos Namorados, é comum vermos campanhas e mensagens voltadas para casais jovens, como se o amor, a paixão e a vida sexual tivessem data para começar e idade para terminar.
Mas a realidade é bem diferente.
Todos os dias, em meu consultório, encontro mulheres que estão vivendo uma das fases mais transformadoras da vida feminina: a menopausa. E, junto com ela, surgem dúvidas, inseguranças e muitos mitos. Um dos mais comuns é a ideia de que o desejo sexual e a vida afetiva chegam ao fim quando a menstruação se despede.
A ciência mostra exatamente o contrário.
A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada principalmente pela redução da produção dos hormônios ovarianos, especialmente o estrogênio. Essa mudança pode provocar sintomas físicos e emocionais importantes, como ondas de calor, alterações do sono, irritabilidade, cansaço, ressecamento vaginal e desconforto durante as relações sexuais.
O problema é que muitas mulheres acreditam que precisam simplesmente aceitar esses sintomas como parte inevitável do envelhecimento.
Não precisam.
Hoje sabemos que qualidade de vida também é uma questão de saúde. E isso inclui bem-estar emocional, autoestima, relacionamentos saudáveis e uma vida sexual satisfatória, se essa for a escolha da mulher.
O ressecamento vaginal, por exemplo, é uma das queixas mais frequentes após a menopausa. Além de causar desconforto, pode levar à diminuição da intimidade do casal e afetar a autoconfiança feminina. Felizmente, existem tratamentos seguros e eficazes que ajudam a restaurar o conforto e melhorar significativamente a qualidade de vida.
Outro ponto importante é compreender que o desejo sexual não depende apenas dos hormônios. Sentir-se bem consigo mesma, cuidar da saúde física, manter vínculos afetivos e preservar a autoestima também influenciam diretamente a forma como a mulher vivencia sua sexualidade.
A menopausa não representa o fim da feminilidade, da sensualidade ou do amor. Pelo contrário. Para muitas mulheres, ela pode marcar o início de uma fase de maior maturidade, autoconhecimento e liberdade.
Neste Dia dos Namorados, o convite é para uma reflexão: será que você está cuidando da sua saúde com a mesma atenção que dedica às pessoas que ama?
Se os sintomas da menopausa têm interferido no seu bem-estar, no seu relacionamento ou na sua qualidade de vida, procure orientação médica. Cuidar da saúde feminina não é apenas tratar doenças. É permitir que cada mulher viva plenamente todas as fases da sua história.
Porque namorar não tem prazo de validade. E a sua qualidade de vida também não deveria ter.
Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, professora da UFMT.
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