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Cuiabá, Segunda-feira 26/01/2026

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26.01.2026 | 11h38

Às vezes eu fico pensando

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Roberta D'Albuquerque

Divulgação

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E se esse moço que passou me pedindo pra mostrar o ingresso na fila do cinema não for do cinema? Não que seja um problema mostrar meu ingresso de papel para um desconhecido, até porque não tem nenhum dado importante no ingresso fora o D15, número da minha poltrona.

 

Problema mesmo é que ele rasgou bem no pedacinho do código de barras e nem foi só no do D15, mas no D14 do ingresso de Paulo e no D16 do ingresso da Lola. Então se o moço que passou me pedindo pra mostrar o ingresso na fila do cinema não for do cinema, quando o moço do cinema de verdade pedir pra ver o ingresso, se ele tiver uma maquininha de leitura de código de barras, não vai dar pra ler.

 

As poltronas D14, D15 e D16 ficarão vazias. E pode ser que Paulo e Lola fiquem cheios de raiva de mim porque foi só ele pedir o ingresso que eu dei, nem vi se tinha cara de ser o moço do cinema mesmo. E se a maquininha de ler código de barras for só uma lanterna à pilha que acende uma luz vermelha e não lê coisíssima nenhuma? Nem código de barra nem QR code, eles fingindo que checam tudo, a gente fingindo que não tá com medo de ter comprado a meia com a carteirinha de estudante de 4 anos atrás? E se nem precisasse ter comprado nada? Se a gente tivesse vindo com o ingresso da semana passada? E se desse overbooking nas D14, D15 e D16?

 

Às vezes eu fico pensando.

E se o moço da D18 já soubesse que essa era a poltrona do corredor desde sempre? Se ele tiver comprado propositalmente a poltrona do corredor só para entrar pelo corredor oposto e encostar os joelhos nas pernas do povo da D1, D2, D3, D4, D5, D6, D7, D8, D9, D10, D11, D12, D13, nas do Paulo, nas minhas, nas da Lola, nas da senhora da D17?

 

E se ele for solitário, muito muito solitário e sentir uma falta tremenda de contato humano e gastar o salário quase que todo comprando ingressos na poltrona D18 do Belas Artes nas sessões que caem nos horários em que ele não trabalha, não está dormindo, nem comendo, nem tomando banho? Será que ele fica pra assistir o filme? Será que dá pra viver só de pipoca e dormir na cadeira pra incluir mais sessões? Será que não valia dizer pra ele que pode ser uma boa ideia também levantar para ir ao banheiro no meio de cada sessão e assim acrescentar mais dois passeios de corredor por filme? Com o que será que ele trabalha?

 

Não sei, mas às vezes eu fico pensando.

Roberta D'Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: contato@robertadalbuquerque.com.br

 

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