21.09.2026 | 11h51
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Sábado, acordei num susto danado. Minha filha mais velha tinha saído na noite anterior pra uma festa e prometeu mandar mensagem quando chegasse em casa. Eram umas 8h30 e nem sinal da menina de volta. Ela já tem 20, mas moramos em São Paulo, portanto o acordo de casa é: saiu, avisa; chegou, avisa. Vale pra todo mundo. Mandei mensagem, esperei mais meia horinha, nada. Liguei, mais meia horinha, nada de novo. Eu estava fora, tô viajando, foi batendo um desespero gigante de "cadê?", "será que aconteceu alguma coisa?". Voei pra casa com a melhor das hipóteses em mente. Chegou, dormiu e esqueceu de mandar mensagem. Era isso. Dormia o pós-festa como se nada.
No alívio da notícia, saí pra tomar café e lembrei da reabertura do MAM no Ibirapuera. Fazia sol depois de uma semana e meia de chuva e frio. Bonita a exposição e mais bonito ainda o MAM no meio do parque, um monte de gente correndo, barulho de criança, as rodinhas dos skates e dos patins, as árvores todas, nunca me acostumo. Da exposição, amei particularmente a sala do Moacir (Moacir Soares de Faria). Aliás, acabo de ler a reportagem de Henrique Skuji na Piauí (tá aberta online) sobre ele, minha gente!
Além dos desenhos, havia um vídeo de depoimentos. Vi um trecho só, alguém cujo nome não anotei — e só lembro do que anoto agora, desculpa — se referia a ele como um compreendido. No contexto da fala, esse compreendido dizia não de uma posição passiva de quem é entendido, percebido, assimilado, captado, tampouco incluído, contido ou englobado. Era um adjetivo ativo, compreendido no sentido de quem compreende. Não consegui parar de pensar nisso até agora. Um adjetivo meio verbo, né?
Fiquei com vontade de jogar fora qualquer outro adjetivo que não fosse dessa natureza. Ontem, quando reencontrei a quase perdida do sábado, contei pra ela do Moacir, dos desenhos feitos a lápis de cor, do adjetivo ativo. Ela riu da rima, ri também. Acordei pensando no verbo. Com vontade de levar adiante esse movimento em direção ao estar cada vez mais ativo. Cada vez mais. Convido vocês a fazer igual. Bora?! Bora! Boa semana, queridos.
Roberta D'Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: contato@robertadalbuquerque.com.br
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