04.11.2026 | 13h18
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Uma equação extremamente complexa espera pelo presidente Lula, no exercício do quarto mandato. Ao mesmo tempo que obteve nas ruas respaldo para adotar medidas drásticas com foco em questões sociais, o petista tem pela frente uma missão complexa que envolve a representação oposicionista de um Congresso, apontado como o mais conservador dos últimos tempos.
Lula ainda não antecipou nenhuma proposta específica para o governo que inicia em janeiro de 2027. Falou em criação de um Ministério do Idoso ou da Longevidade, voltado à população 60+ e motivado pela participação expressiva desses eleitores no segundo turno, inclusive o grupo acima de 70 anos, cujo voto não é obrigatório. Imagens de idosos a caminho das urnas emocionaram o Brasil todo e Lula especialmente.
Um cenário de desaceleração econômica previsto para o próximo ano sinaliza entraves para uma negociação exitosa com opositores. Na agenda do governo Lula 4 estão previstos, em escala de prioridade de enfrentamento, saídas visando o ajuste nas contas públicas, redução no custo de vida e no endividamento do brasileiro. Não se fala sobre recuo de postura nesses itens elencados. É avançar na agenda ou avançar na agenda, simples assim.
Lula, já bem perto da virada de mandato, faz questão de destacar a valorização do salário mínimo, ampliação do acesso à saúde pública e à educação e o reforço no combate ao crime organizado. O presidente antecipou na campanha eleitoral propostas como a compra de dívidas bancárias em leilão, ajuda de R$ 5 mil para recomeço financeiro, perdão de dívidas de MEIs já inscritas e defesa da soberania energética e mineral, leia-se aqui ‘terras raras’.
No pacote social de medidas urgentes constam o reajuste (concedido durante a campanha) de 15% no Bolsa Família; criação do Pé-de-Meia universitário, do Desenrola Brasil 3.0 e programa Gás para Todos. Além da expansão dos programas Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular, desoneração de tributos sobre combustíveis e a isenção de impostos da cesta básica.
Se tudo o que foi dito ou planejado por Lula for executado, como as propostas acima destacadas, o avanço social no Brasil promete ser significativo, ainda que a conta do governo fique difícil de fechar. Lula 4, agora aos 81 anos, promete desafiar essa matemática, mantendo as políticas de auxílio e isenções sem perder o controle da dívida pública.
Para financiar as pautas sociais e cumprir promessas de campanha, o presidente pode recorrer a estratégias fiscais, remanejamentos e mecanismos de crédito. Entre as medidas, o governo estuda o corte de emendas parlamentares, realocação interna de valores no orçamento, criação do imposto mínimo sobre super-ricos e adoção de diretriz progressiva, como colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda. Interessante!
Margareth Botelho é jornalista em Cuiabá
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