22.09.2026 | 11h22
Chico Ferreira
Eleição se faz a partir do partido político. Ele é a matriz das escolhas de candidaturas e também emite o programa ideológico, social e econômico, pensando na sociedade. Vamos voltar um pouco no tempo pra entender melhor isso. Até a extinção dos partidos criados depois da Constituição de 1946. Havia 13 partidos, mas só três eram de fato relevantes: o Partido Social Democrático (PSD), a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido dos Trabalhadores do Brasil (PTB).
O PSD representava o capital, a agricultura, a indústria e o comércio. A UDN representava a classe média. E O PTB representava os trabalhadores do país. Sob o olhar de hoje, os partidos daquela época pareciam seitas. Jamais abrirão mão dos seus princípios ideológicos. Exceção era o PTB, que a cada eleição coligava, ora com o PSD, ora com a UDN.
Passado esse período, os militares extinguiram aqueles partidos e criaram apenas dois: Aliança Renovadora Nacional-ARENA, e o Movimento Democrático Brasileiro-MDB. A ARENA era o partido de apoio do governo militar. O MDB era a oposição e um guarda-chuvas que abrigava todas as tendências de esquerda no país.
Os partidos antigos e os novos construíam as suas candidaturas a todos os cargos em disputa. E o sistema obedecia a uma pirâmide. Os candidatos de baixo apoiavam-se nessa pirâmide para cima. E os de cima apoiavam para baixo, degrau por degrau. O deputado estadual apoiava-se nos prefeitos e nos vereadores e pedia votos para o deputado federal. Este apoiava-se nos candidatos a deputados estaduais e apoiava o senador. Este apoiava-se na pirâmide, puxava votos para o governador, até o presidente da República.
Os eleitos seguiam uma cartilha que eram os propósitos do partido.
Nesta eleição de 2026, a pirâmide desapareceu por que os partidos políticos também desapareceram. Sigla não é partido político. Partido é uma fração do pensamento da sociedade, concentrado num amplo grupo político que pensa no bem-estar comum.
O que estamos assistindo nesta eleição é cada um trabalhando pra si só em todos os níveis de disputa, sem formar a pirâmide. Todo mundo está num plano reto e cada um é cada um e pede votos só pra si. Um ou outro pede algum voto pra alguém próximo. No mais não é uma eleição que vai eleger siglas políticas. Vai eleger poderes políticos individuais sem o compromisso com o todo e nem com parte da sociedade. Será uma eleição perdida!
O governador eleito terá uma relação não político-partidária com o parlamento estadual. O presidente da República eleito lidará com um Congresso fragmentado e sem propósitos de nenhuma natureza. Pìor. Num momento em que o país está afundando muito depressa.
Prevejo caos pesado à frente. E o reaprendizado de se fazer política. Ah. E se rever o sistema partidário do pais!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
onofreribeiro1944@gmail.com
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