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02.03.2026 | 11h48

Empresas têm até maio para implantar a NR-1 para gerir riscos psicossociais e reduzir exposição jurídica

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Cláudio Souza

Divulgação

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Empresas têm até maio de 2026 para se adequar à NR-1, que torna obrigatória a gestão de riscos psicossociais no trabalho, no âmbito do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

 

O recado é direto: assédio, sobrecarga, jornadas extensas, conflitos recorrentes e baixa autonomia deixam de ser apenas assunto de clima organizacional e passam a integrar a governança de riscos, com efeitos na produtividade e no campo jurídico. A partir de 25 de maio de 2026, a tendência é de maior cobrança por evidências de prevenção, controle e acompanhamento. A NR-1 não avalia intenção, avalia sistema. Isso exige inventário de riscos atualizado, plano de ação executável, responsáveis definidos, registros das medidas implementadas e rotina de monitoramento.

 

A ausência dessas entregas fragiliza a empresa em fiscalizações e em disputas trabalhistas que envolvam alegações de adoecimento relacionado ao trabalho, além de ampliar riscos reputacionais em um mercado cada vez mais guiado por governança e ESG. Pela ótica das neurociências, a urgência se torna ainda mais objetiva. O cérebro é um órgão de predição e sobrevivência. Quando o ambiente sinaliza ameaça constante, por pressão desproporcional, insegurança psicológica, violência simbólica ou ambiguidade de papéis, o sistema nervoso tende a operar em hipervigilância.

 

Nessa condição, cresce a reatividade emocional e diminui a capacidade de sustentar funções executivas essenciais ao desempenho, como atenção, planejamento, flexibilidade cognitiva, inibição de impulsos e tomada de decisão. Em termos simples, o cérebro prioriza sobreviver e perde eficiência para performar. O estresse persistente também deteriora relações e compromete o trabalho em equipe. Cooperação depende de leitura social, autocontrole e confiança. Ambientes psicologicamente inseguros favorecem comportamento defensivo, comunicação truncada e escalada de conflitos.

 

O resultado aparece em cadeia: mais erros, retrabalho, afastamentos, rotatividade, absenteísmo e queda do desempenho operacional e comercial. Não se trata de fragilidade individual, mas de um mecanismo neurobiológico previsível e, portanto, mensurável e gerenciável.

 

Nesse contexto, tenho a dizer que o trabalho de um especialista ganha relevância ao traduzir evidências em método de gestão e mudança comportamental. O método ideal é o apresentado em quatro etapas: identificar, reconhecer, reestruturar e liderar (IRRL). Identificar, que mapeia gatilhos e padrões de ameaça; Reconhecer, que localiza raízes e custos; Ressignificar, que treina novas respostas, com foco em autorregulação, comunicação e liderança; Libertar, que consolida rotinas, governança e indicadores para sustentar segurança psicológica e produtividade. A NR-1 inaugura um novo padrão: risco psicossocial deixa de ser opinião e passa a ser responsabilidade corporativa documentável.

 

Cláudio Souza é autor do livro Cérebro Consumidor e a Arte de Vender, palestrante, mentor e treinador empresarial. Possui MBAs em neurovendas, comportamento, desempenho e gestão de pessoas. Atua há mais de 20 anos ajudando empresas a ampliar resultados financeiros com foco em performance sustentável, relações comerciais de valor, método, consciência comportamental e conexão humana.

 

 

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