OPERAÇÃO GEMINI 16.06.2026 | 07h00

laisa@gazetadigital
João Vieira
O deputado estadual Faissal Calil (PL) quebrou o silêncio sobre as suspeitas da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal, na semana passada. O parlamentar contestou a narrativa de que seria um "operador" de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e afirmou que sua inclusão no inquérito se baseia em interpretações fora de contexto de sua atuação profissional.
A Operação Gemini investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro na Corte estadual. O principal alvo é o desembargador Dirceu dos Santos, que foi formalmente afastado do cargo. No âmbito político, Faissal virou alvo de mandados de busca e apreensão e teve seus sigilos bancário e telefônico quebrados. A PF suspeita que ele atuasse como operador financeiro e articulador do magistrado.
Um dos pontos centrais da investigação envolve mensagens trocadas entre Faissal e o advogado Roberto Zampieri no dia 5 de dezembro de 2023, poucas horas antes de Zampieri ser executado a tiros em Cuiabá. O deputado explicou que o contato não tinha relação com venda de sentenças, mas sim com uma disputa de terras em Ribeirão Cascalheira.
No caso, Faissal representava o cliente Ildo Roque Guareschi, enquanto Zampieri atuava para João Gontijo. Segundo o parlamentar, Zampieri propôs um acordo de R$ 2 milhões para evitar uma ação de reintegração de posse.
"Isso não foi possível. Nós estávamos conversando para ver um valor mais acessível... tínhamos chegado a um valor aí de R$ 200 mil", disse Faissal, ressaltando que sua última mensagem ao colega foi apenas para avisar que notificaria seu cliente e que ambos sempre foram de "partes opostas".
O parlamentar aproveitou para rebater boatos que circularam nos bastidores sobre a apreensão de itens de luxo e armamento pesado em sua residência. Ele garantiu que a PF levou apenas seu celular e que ele entregou voluntariamente todas as senhas aos agentes.
"Não tem Rolex. Nunca tive Rolex. O fuzil não é lá de casa também. Inclusive, eu sou o único deputado da Assembleia Legislativa que não mora em condomínio fechado. Não tinha dinheiro, não tinha joias, não tinha obras de arte de grande valor. Foi de dentro do Alphaville que foi encontrado isso aí. Não foi na minha casa", disparou.
Faissal Calil classificou a operação como um "ataque do sistema" e insinuou se tratar de "fogo amigo", associando a ação à sua postura independente e crítica contra grandes concessionárias e contra o governo na Assembleia Legislativa. Ele lembrou que o caso investigado já foi alvo de uma reclamação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que acabou arquivada.
O deputado encerrou dizendo estar "completamente tranquilo" quanto à quebra de seus sigilos, garantindo que sua movimentação financeira é composta por honorários legítimos e verbas de gabinete. Faissal segue exercendo seu mandato na Assembleia Legislativa normalmente, uma vez que não houve ordem judicial para seu afastamento do cargo.
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