29.11.2025 | 10h08
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As mudanças climáticas já deixaram de ser uma previsão e se tornaram parte do cotidiano. Ondas de calor prolongadas, noites mal dormidas, ar mais seco e aumento da poluição estão modificando a forma como nosso corpo funciona. Um dos sistemas mais afetados é o endócrino, responsável por regular os hormônios que controlam o metabolismo, o sono, o humor e a fertilidade.
O calor excessivo pode elevar os níveis de cortisol, hormônio associado ao estresse. Com isso, aumenta o cansaço, a irritabilidade e a dificuldade de manter o equilíbrio do peso corporal. Além disso, quando as temperaturas permanecem altas durante a noite, a produção de melatonina — essencial para o sono e a reparação do organismo — é prejudicada. Quando o sono não é restaurador, todo o sistema hormonal começa a responder de forma diferente.
Outro ponto de atenção são os desreguladores endócrinos, substâncias presentes no ar, na água e até nos alimentos. Elas têm a capacidade de imitar ou bloquear hormônios naturais. Um exemplo importante é o Bisfenol A (BPA), encontrado em plásticos e revestimentos de embalagens alimentares. Essa substância pode alterar receptores hormonais e tem sido associada a disfunções metabólicas, reprodutivas e da tireoide. Em um ambiente mais quente e poluído, a exposição ao BPA e a outros compostos tende a aumentar — e os efeitos sobre o metabolismo podem ser mais intensos do que imaginamos.
Isso mostra que o corpo humano está sendo pressionado por dois fatores ao mesmo tempo: a mudança do clima e o aumento do contato com substâncias químicas presentes na rotina. Crianças, gestantes, idosos e populações com menor acesso à saúde preventiva são os mais vulneráveis.
A COP30, realizada em Belém (PA), trouxe uma mensagem importante: a discussão ambiental precisa, necessariamente, incluir a saúde humana. Não basta pensar na preservação do planeta; é preciso considerar como o ambiente afeta diretamente o funcionamento do organismo. Na endocrinologia, isso significa orientar sobre sono, hidratação, alimentação, manejo do estresse e redução de exposição a substâncias como o BPA — além de estimular pesquisas e políticas públicas sobre o tema.
O clima está mudando — e nosso corpo já está percebendo. O metabolismo, muitas vezes, é o primeiro sinal de que algo precisa ser ajustado. Cuidar da saúde endócrina é também uma forma de adaptação ao mundo que estamos vivendo. O ambiente faz parte da nossa biologia, e compreender essa relação é essencial para proteger a saúde nas próximas décadas.
Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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