06.02.2026 | 11h20
Divulgação
O uso de medicamentos injetáveis no tratamento de doenças metabólicas e no controle do peso tem crescido de forma expressiva nos últimos anos. Esse avanço, no entanto, vem sendo acompanhado por um problema preocupante: a circulação de canetas falsificadas ou de procedência desconhecida, muitas vezes comercializadas fora de farmácias e de outros estabelecimentos devidamente autorizados, especialmente pela internet e redes sociais.
Do ponto de vista científico, o alerta é claro: não existem estudos que comprovem a segurança, a eficácia ou a qualidade desses produtos de procedência desconhecida. As medicações originais passam por um longo e rigoroso processo de pesquisa e desenvolvimento, que inclui estudos clínicos para avaliação de dose adequada, efeitos colaterais, interações medicamentosas e impactos a curto e longo prazo no organismo.
Já os produtos falsificados não seguem qualquer padrão de controle sanitário. Não há garantia quanto à composição, à concentração do princípio ativo ou às condições adequadas de armazenamento e transporte. Na prática, isso significa que o paciente pode estar utilizando uma substância em dose incorreta, contaminada ou até mesmo diferente daquela que acredita estar aplicando.
Os riscos associados ao uso desses produtos são variados e potencialmente graves. Entre eles destacam-se reações adversas inesperadas, infecções no local da aplicação, alterações metabólicas significativas, episódios de hipoglicemia, efeitos gastrointestinais intensos e complicações sistêmicas que podem exigir atendimento médico de urgência. Além disso, a ausência de padronização pode levar tanto à subdosagem, tornando o tratamento ineficaz, quanto à superdosagem, aumentando de forma expressiva o risco de eventos adversos.
Outro aspecto preocupante é a forma como esses produtos costumam ser divulgados: com promessas de resultados rápidos, ausência de efeitos colaterais e facilidade de acesso. Esse tipo de abordagem não condiz com a medicina baseada em evidências. Nenhum tratamento sério dispensa avaliação médica individualizada e acompanhamento regular, especialmente quando envolve medicamentos que atuam diretamente no metabolismo.
A orientação à população deve ser objetiva e clara: medicamentos só devem ser utilizados com prescrição médica e adquiridos por meios regulamentados. O acompanhamento profissional é fundamental não apenas para a indicação do tratamento mais adequado, mas também para o monitoramento de efeitos adversos e o ajuste seguro das condutas terapêuticas.
Em um cenário marcado pela ampla circulação de desinformação, reforçar a importância da ciência e da segurança sanitária é essencial. Quando se trata de saúde, o uso de produtos sem comprovação pode trazer consequências irreversíveis. No caso das canetas falsificadas, a ausência de estudos não é um detalhe, é um risco real.
Mariana Ramos é médica endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá (MT).
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