23.04.2026 | 09h31
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A busca por resultados rápidos no corpo tem levado cada vez mais pessoas ao uso de anabolizantes, mas muitas vezes não se considera o impacto direto dessas substâncias no coração e nos vasos sanguíneos.
Do ponto de vista endocrinológico, os esteróides anabolizantes alteram profundamente o equilíbrio hormonal do organismo e desencadeiam mudanças importantes no metabolismo, especialmente no perfil lipídico, com redução do colesterol HDL e aumento do colesterol LDL, favorecendo o acúmulo de gordura nas artérias.
Esse processo pode acelerar o desenvolvimento da aterosclerose, mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis, além de contribuir para o aumento da pressão arterial e maior risco de formação de coágulos.
O coração também sofre efeitos diretos, com alterações estruturais, como o aumento do músculo cardíaco de forma desorganizada e disfuncional, o que compromete sua função ao longo do tempo e pode levar a arritmias, insuficiência cardíaca e até morte súbita.
Um dos aspectos mais preocupantes é que essas mudanças costumam ser silenciosas: muitos usuários mantêm bom desempenho físico e não percebem sinais evidentes, enquanto o risco cardiovascular continua aumentando de forma progressiva.
Não existe uso seguro de anabolizantes para fins estéticos, e, quanto maior o tempo de exposição, maiores são as chances de complicações, incluindo infarto e acidente vascular cerebral.
Mais do que uma escolha estética, o uso dessas substâncias representa um risco real à saúde e pode impactar diretamente a expectativa de vida. Tratamentos hormonais devem ser realizados apenas quando há indicação médica, com acompanhamento adequado.
Quando o assunto é coração, os danos nem sempre dão sinais e podem ser irreversíveis.
Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT
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