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11.05.2026 | 12h09

O corpo da mulher muda após a maternidade e isso não deveria ser tabu

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Fernando Cruz

Divulgação

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A maternidade transforma a vida da mulher em muitos aspectos. Mudam as prioridades, a rotina, as emoções e, naturalmente, o corpo. Apesar disso, ainda existe um silêncio muito grande quando o assunto são as alterações físicas e íntimas que podem surgir após a gestação e o parto.

 

Flacidez abdominal, incontinência urinária, diástase, dores pélvicas e mudanças na vida sexual são situações comuns no pós-parto, mas muitas mulheres convivem com esses sintomas sem buscar ajuda, seja por vergonha, medo ou pela falsa ideia de que “é normal sofrer depois de ter filhos”.

 

É importante esclarecer: algumas mudanças realmente fazem parte do processo da maternidade, mas isso não significa que a mulher precise aceitar desconfortos físicos e emocionais sem acompanhamento ou tratamento adequado.

 

Durante a gestação, o corpo feminino passa por adaptações intensas. O crescimento do útero, as alterações hormonais e o ganho de peso provocam impactos importantes na musculatura abdominal, na região pélvica e na pele. Após o nascimento do bebê, o organismo inicia um processo de recuperação que varia de mulher para mulher.

 

Uma das alterações mais frequentes é a diástase abdominal, que acontece quando há afastamento dos músculos do abdômen. Esse quadro pode causar flacidez, sensação de fraqueza na região abdominal, dores lombares e até dificuldades posturais. Em muitos casos, exercícios orientados e fisioterapia pélvica ajudam significativamente na recuperação, embora algumas pacientes necessitem de tratamentos complementares.

 

Outro tema bastante comum, mas pouco discutido, é a incontinência urinária. Muitas mulheres relatam perda involuntária de urina ao tossir, rir, espirrar ou praticar atividades físicas. Isso ocorre porque a gestação e o parto podem enfraquecer a musculatura do assoalho pélvico, responsável pela sustentação dos órgãos da pelve e pelo controle urinário.

 

Apesar de frequente, a incontinência não deve ser encarada como algo inevitável da maternidade. Atualmente existem tratamentos eficazes, que vão desde fisioterapia especializada até procedimentos minimamente invasivos, dependendo de cada caso.

 

As dores pélvicas também merecem atenção. Alterações musculares, cicatrizes cirúrgicas, mudanças hormonais e sobrecarga física podem provocar desconfortos persistentes no pós-parto. Muitas vezes, essas dores acabam impactando diretamente a qualidade de vida, o sono, a disposição e até o vínculo emocional da mulher consigo mesma.

 

Além das mudanças físicas, existe ainda um aspecto frequentemente negligenciado: a autoestima feminina. O corpo após a maternidade nem sempre corresponde às expectativas criadas socialmente, e isso pode gerar insegurança, sofrimento emocional e dificuldades na relação da mulher com sua própria imagem.

 

As alterações na vida sexual também são comuns nesse período. Ressecamento vaginal, desconforto durante a relação, diminuição da libido e insegurança corporal podem surgir principalmente nos primeiros meses após o parto. Questões hormonais, cansaço físico e adaptação à nova rotina influenciam diretamente nessa fase.

 

Por isso, o acolhimento médico e emocional da mulher no pós-parto é fundamental. O acompanhamento ginecológico não deve se limitar apenas ao período da gestação, mas continuar também após o nascimento do bebê, oferecendo orientação, diagnóstico e tratamento individualizado para cada necessidade.

 

Falar sobre o corpo após a maternidade é necessário. Quanto mais informação e acolhimento existirem, maior será a possibilidade de as mulheres compreenderem que cuidar de si mesmas também faz parte da maternidade.

 

A mulher não deve sentir culpa por buscar qualidade de vida, bem-estar e autoestima após ter filhos. O cuidado com a saúde física e emocional da mãe é igualmente importante para toda a família.

 

Fernando Cruz é ginecologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.

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