19.03.2026 | 11h12
Luara Baggi MCTI
A ciência brasileira já tem rosto de mulher. Hoje, elas são a maioria entre estudantes e titulados em mestrado e doutorado no Brasil e representam 54% dos pesquisadores do País. Porém, a nossa presença em áreas como Tecnologia, Engenharias e Matemática ainda é limitada, assim como as oportunidades de progressão na carreira científica e de acesso a uma remuneração justa e equivalente à dos homens.
Apesar dos avanços nos últimos anos, o chamado “efeito tesoura”, que reduz a participação feminina ao longo da progressão na carreira, nos mostra que o desafio não é apenas de oportunidade, mas de permanência, de reconhecimento e de valorização dos nossos talentos. Historicamente, a desigualdade não está apenas na distribuição da renda salarial. Ela também aparece na dificuldade de acesso a financiamento para pesquisas. Projetos liderados por pesquisadoras têm recebido menos recursos. A diferença entre as oportunidades nas regiões do País agrava esse panorama. Pesquisadoras do Norte e do Nordeste enfrentam barreiras ainda maiores quando o assunto é financiamento público de pesquisas científicas.
A diversidade é condição fundamental para a democratização da ciência e para ampliar a qualidade da produção científica. Por isso, esta gestão do Governo do Brasil, mais precisamente por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, tem trabalhado em uma agenda integrada de políticas para fortalecer a participação das mulheres. Nossa atuação vai do estímulo às vocações científicas na educação básica à formação avançada. Abrange também a inserção em áreas tecnológicas estratégicas, o empreendedorismo inovador, o reconhecimento e a presença feminina em espaços de decisão.
Mais do que isso, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo presidente Lula, formulamos e implementamos políticas afirmativas e programas de incentivo à diversidade fundamentais para enriquecer a ciência e tecnologia brasileiras com a participação plena das mulheres na produção científica. Essa é uma ação estratégica de governo, uma política que busca excelência. É a compreensão de que a excelência científica, a inovação de impacto e o desenvolvimento sustentável do Brasil dependem, necessariamente, do aproveitamento dos nossos próprios talentos.
Desde 2023, o acesso às bolsas de formação por pesquisadoras, da iniciação científica ao doutorado, cresceu. Iniciativas como o programa Futuras Cientistas; a chamada Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação; o programa Mulheres Inovadoras; o Centelha; e o Conecta Startup Brasil atuam nas mais diversas frentes. São ações que incentivam desde meninas a ingressar nas mais diversas áreas de pesquisa até cientistas e empreendedoras que já têm experiência suficiente para contribuir e ampliar a pluralidade do ecossistema de inovação. Essas medidas atuam no sentido de enfrentar desigualdades históricas de gênero e raça.
Há, ainda, bolsas de estudo exclusivas para mulheres, programas de mentoria e incentivos para a ocupação de espaços estratégicos. Os editais do CNPq, por exemplo, estão adaptados para as especificidades femininas, como o impacto da maternidade na produtividade acadêmica e a necessária prorrogação de prazos.
O caminho ainda é longo, mas a determinação de superar essa desigualdade é imensa. Nos últimos três anos organizamos uma política robusta, que além de atuar nos eixos normativos e de reconhecimento, valorizou e insistiu no fomento. Nesse período, foram investidos cerca de R$ 1,7 bilhão em ações, políticas e programas voltados à participação feminina. O resultado disso é o sucesso de projetos importantes como o Programa Futuras Cientistas, as chamadas Meninas nas Ciências Exatas e Atlânticas – Beatriz Nascimento, e o Prêmio Mulheres e Ciência, entre tantas outras.
A ciência voltou e está do lado da mulher brasileira. Trabalhamos para consolidar esse conjunto de ações da Política de Empoderamento de Meninas e Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação como uma política de Estado. Queremos que cada menina brasileira possa olhar para a ciência e se enxergar ali, não como uma exceção, mas como protagonista. Porque lugar de mulher é onde ela quiser. E, principalmente, na Ciência, Tecnologia e Inovação.
Luciana Santos é ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil
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