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20.03.2026 | 11h11

Quando o silêncio engana; câncer de rim e câncer de próstata entre os riscos mais invisíveis da saúde masculina

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Rodolfo Garcia Borges

Divulgação

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Há algo que o tempo de consultório ensina de um jeito que os livros não conseguem: os maiores perigos nem sempre chegam com barulho. Alguns dos problemas mais sérios que um homem pode enfrentar ao longo da vida são justamente aqueles que não doem, não assustam, não interrompem a rotina. O câncer de próstata e o câncer de rim entram nessa categoria. Crescem devagar. Discretamente. E, não raramente, só se mostram quando já ganharam terreno demais.

É exatamente essa natureza silenciosa que os torna tão difíceis de combater.

 

O câncer de próstata ocupa hoje a posição de tumor mais frequente entre os homens brasileiros, excetuando-se os cânceres de pele não melanoma. O INCA registra dezenas de milhares de novos casos por ano. E ainda assim, na maior parte das vezes, a doença não avisa. O homem acorda, trabalha, treina, janta com a família, ri, dorme, sem qualquer sinal de que algo está se desenvolvendo silenciosamente dentro dele.

 

Quando os sintomas finalmente aparecem, dificuldade para urinar, jato fraco, sangue na urina ou no sêmen, dores ósseas nos casos mais avançados, o cenário já mudou. Aquilo que poderia ter sido resolvido com muito menos sofrimento se torna, muitas vezes, um processo longo e desgastante.

 

O câncer de rim segue uma trajetória semelhante. Por meses, às vezes anos, ele pode crescer sem provocar qualquer desconforto perceptível. Não é incomum que seja encontrado por acidente, num ultrassom pedido por outro motivo, numa tomografia de rotina. Havia, no passado, uma tríade clássica de sintomas: dor lombar, sangue na urina e massa abdominal palpável. O problema é que, quando esse conjunto aparece junto, o tumor costuma estar em estágio avançado. A medicina aprendeu essa lição da forma mais difícil.

 

A boa notícia existe, e ela é concreta: a medicina avançou muito. Cirurgias minimamente invasivas, terapias-alvo, exames de imagem com precisão cada vez maior, tudo isso transformou o prognóstico dessas doenças. Casos que décadas atrás tinham poucas saídas, hoje têm tratamento, controle, e muitas vezes cura. Mas há um elemento que nenhuma tecnologia substitui: pegar a doença cedo, com o suporte de um urologista especializado.

 

No caso da próstata, isso passa pelo acompanhamento regular, PSA, avaliação clínica e exame digital da próstata, quando indicado. E aqui vale uma observação que repito com frequência: é curioso como o mesmo homem que faz revisão do carro a cada seis meses, que acompanha a carteira de investimentos semana a semana, some do consultório por anos. O corpo, que é o único bem verdadeiramente insubstituível, fica sem revisão e sem uma avaliação urológica periódica.

 

Para o rim, não existe um rastreamento universal como há para a próstata. Mas existem fatores de risco conhecidos, tabagismo, obesidade, hipertensão, histórico familiar, e, em quem carrega esses fatores, a avaliação periódica pode mudar completamente o desfecho. Nesses casos, o acompanhamento com um urologista pode fazer toda a diferença.

 

No fundo, o maior obstáculo talvez não seja médico. É cultural.

 

Muitos homens foram criados aprendendo que cuidar de si é frescura, que ir ao médico é coisa de quem já está mal, que sentir dor e continuar é prova de força. Esse código não escrito tem um custo real. Não raramente, um custo alto demais.

Cuidar da saúde não é fraqueza. É lucidez.

 

Em algum momento da vida, quase todo homem se vê diante de pessoas que dependem dele, filhos, companheira, pais, amigos próximos. A saúde deixa de ser assunto só seu. Vira um compromisso com quem divide a vida com você.

 

O câncer de rim e o câncer de próstata continuam sendo inimigos que preferem o escuro. Mas silêncio não é o mesmo que ausência. Com informação, acompanhamento e atenção ao próprio corpo, esses inimigos perdem a vantagem que mais os favorece: o tempo.

 

E é aí que a medicina entra com tudo, transformando silêncio em diagnóstico, diagnóstico em tratamento, e tratamento, muitas vezes, em vida.

 

Rodolfo Garcia Borges é médico urologista especializado em uro-oncologia e cirurgia robótica, com atuação no tratamento de câncer de próstata, rim e bexiga por meio de técnicas minimamente invasivas e tecnologia avançada. Possui formação em cirurgia robótica pelo Hospital Israelita Albert Einstein e atua na clínica Oncocenter, onde também é instrutor em cirurgia robótica, além de professor da residência médica de Urologia da UFMT. É membro de importantes sociedades urológicas nacionais e internacionais.

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