13.03.2026 | 12h08
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Nos últimos anos, uma palavra começou a aparecer com frequência nas redes sociais: redpill. Esse termo nasceu como uma metáfora inspirada no filme Matrix, em que uma “pílula vermelha” dá o efeito de enxergar a verdade por trás da realidade.
Na internet, essa ideia foi apropriada por comunidades que dizem revelar a “verdade” sobre relacionamentos e sobre o comportamento de homens e mulheres. Só que, muitas vezes, essa promessa de “verdades absolutas” vem acompanhada de explicações simplistas para questões humanas que são, por natureza, complexas.
Grande parte do conteúdo redpill circula em vídeos, podcasts e grupos online. Ali, jovens, principalmente homens, encontram discursos que prometem explicar por que relacionamentos falham, por que a vida amorosa parece difícil e por que muitos se sentem deslocados no mundo atual. Essas mensagens são diretas, fáceis de entender e parecem dar respostas rápidas para frustrações reais. Não é difícil perceber por que esse tipo de conteúdo encontra público.
É quando a situação se torna mais delicada. Em muitos desses espaços, mulheres passam a ser julgadas de forma generalizada, classificadas em estereótipos ou tratadas como se compartilhassem um mesmo comportamento. Em vez de enxergar indivíduos com particularidades e personalidades diferentes, esses discursos acabam criando categorias rígidas, como se fosse possível resumir mulheres e relacionamentos a alguns rótulos. Nem todos que entram nesse universo adotam as ideias mais extremas, mas acabam expostos a elas.
Esse tipo de pensamento costuma transformar relações humanas em uma espécie de disputa. A lógica deixa de ser a construção de vínculos e passa a ser a tentativa de prever, controlar ou ser maior que o outro lado. Essa forma de enxergar as relações não surge do nada, ela dialoga com algo muito mais antigo, o machismo estrutural presente na sociedade. Durante muito tempo, homens foram socializados a acreditar que deveriam ocupar uma posição de domínio nas relações, e que mulheres deveriam se adaptar a essa lógica. Quando discursos contemporâneos reforçam essa visão, acabam reproduzindo velhos padrões de preconceito e desigualdade.
Estamos em março, mês em que o mundo lembra o Dia Internacional da Mulher. Ao mesmo tempo, os números de violência contra mulheres continuam assustadores: casos de agressão, assédio, estupro e feminicídio seguem aparecendo com frequência nos noticiários. Esse cenário exige uma reflexão séria sobre os discursos que circulam na sociedade e na internet. Quando ideias que desumanizam mulheres ganham espaço ou parecem aceitáveis, abre-se um terreno perigoso onde a violência pode encontrar justificativas.
Combater essa realidade não passa apenas por leis ou punições, mas também por questionar narrativas que transformam mulheres em alvos de julgamento ou desprezo. Toda cultura que normaliza a desconfiança e o ressentimento entre homens e mulheres corre o risco de se tornar, ainda que indiretamente, um espaço onde a violência encontra terreno fértil para crescer.
Bruno Moreira (@obrunocos) é publicitário e gestor de marketing
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