03.02.2025 | 12h23
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Colunista
Uma amiga me disse que ia ver o Odair José sexta passada. Disse que não ia chamar ninguém. Se inauguraria em um show sozinha. Fui olhar se ainda tinha ingresso, mas acabei desistindo. Pensei que poderia atrapalhar o plano dela de me myself and I. Vontade eu tive, descobri que era um show de um disco específico tocado do início ao fim e amo essa modinha de show de disco. Fui ver o Caetano tocando Transa e acho que rejuvenesci (embora meu dermatologista não concorde) pelo
menos uns 5 anos.
Pois Odair José. O álbum é de 77, um ano antes de meu nascimento, e se chama O filho de José e Maria. Escutei todinho. Escutem aí, minha gente. Não tem nada a ver com o Odair José de Eu vou tirar você deste lugar, embora tenha tudo tudíssimo a ver. Não paro de pesquisar sobre a empreitada que foi um fracasso de público e crítica na época do lançamento, mas que animou meu fim de semana.
Enfim, mil coisas. Dá pra passar meia hora falando só da primeira música. Mas o que eu queria mesmo comentar agora é uma única frase. Na faixa Não terminou depois de (atenção) “Todos nós já nascemos um pouquinho bandidos”, vem a frase: “Todos nós temos no corpo um segredinho escondido”. Não é maravilhoso? Que segredos são parte constituinte de Jesus e a humanidade eu já sabia, claro. Vocês também já sabiam, não sabiam? Mas é que esse diminutivo usado tão safadamente em segredinho foi bom demais.
A gente tá em um momento tão certo e errado, de um lado ou de outro que lembrar dos segredinhos, dos não ditos, desse estar disponível para se colocar dentro de um “todos nós”, seja ele o que for, me alegra o coração, sabia? Escrevi agorinha pra minha amiga e ela disse que acabou não indo também porque recebeu um convite de última hora pra encontrar amigos em um restaurante.
Vê, ela me dizia na própria sexta dessa dúvida, a de como se sentiria no show sozinha. A inauguração, lembra? Agora confessou o segredo de que não estava 100% contente com a falta de companhia. E eu aqui pensando que ela era proposital.
A partir do convite, pode abrir mão do ingresso já comprado, mas contou que passou o fim de semana a Odair José. Aposto que comentou do show com os amigos do jantar e que, provavelmente, algum deles também pôs o Spotify pra trabalhar. Se a gente seguir na chave das suposições, um outro alguém que conversaria com a moça da poltrona do lado esquerdo (a dela), teve que conversar com a do lado direito. Pode ser que tenham comentado sobre o show e saído eles também pra jantar depois do bis Odair Josesísticamente. Não sei tô inventando. Sabe-se lá quantos segredinhos não se revelaram na sexta-feira paulistana.
E por aí? Como foi? Boa semana, queridos, bora trabalhar!
Roberta D'Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: contato@robertadalbuquerque.com.br
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