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OUTUBRO LARANJA 25.10.2026 | 07h11

TDAH vai além da distração e pode afetar a vida adulta, alerta médica

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Vithória Sampaio

redacao@gazetadigital.com.br

Reprodução

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Começar várias tarefas e não conseguir terminar nenhuma, perder o foco em atividades simples ou conviver com uma inquietação mental constante. O que muitas vezes é confundido com preguiça, desorganização ou falta de responsabilidade pode esconder um transtorno do neurodesenvolvimento: o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Embora seja frequentemente associada a crianças agitadas, a condição também afeta adultos e pode comprometer o desempenho profissional, os relacionamentos e a autoestima.

 

No Outubro Laranja, mês dedicado à conscientização sobre o TDAH, a médica psiquiatra Karolyne Fernandes S. Metello de Siqueira fez alguns alertas sobre os sinais que merecem atenção e os desafios do diagnóstico até o tratamento, para que a condição rompa com rótulos e melhore a qualidade de vida.

 

Gazeta Digital — O TDAH ainda é cercado por preconceitos e desinformação. Afinal, o que é o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, quais são os principais sinais e como diferenciá-los de comportamentos comuns, como distração, agitação e dificuldade de organização?

 

Dra Karolyne Fernandes - O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a atenção, o controle dos impulsos e a organização. Muitos pacientes descrevem a sensação de ter mil abas abertas na cabeça, começando várias tarefas sem conseguir concluir nenhuma. Isso não significa falta de atenção, mas dificuldade em direcioná-la e mantê-la. A diferença para uma distração comum está na frequência dos sintomas, na presença desde a infância e nos prejuízos que causam à vida da pessoa. 

 

Gazeta Digital — O diagnóstico tem sido cada vez mais discutido, inclusive nas redes sociais. Como é feita a avaliação por um profissional e quais são os riscos de confundir o transtorno com ansiedade, depressão ou outros problemas de saúde mental?

 

Dra Karolyne Fernandes - O diagnóstico do TDAH é clínico e considera a história do paciente, o início dos sintomas e os impactos na rotina. A avaliação neuropsicológica pode ajudar, mas é complementar e não obrigatória. Ansiedade, depressão, alterações do sono e estresse também podem causar sintomas semelhantes. Por isso, identificar-se com vídeos nas redes sociais não significa ter TDAH. É fundamental uma avaliação individualizada e criteriosa.


Gazeta Digital —  Como o transtorno se manifesta na vida adulta e de que forma pode afetar o trabalho, os relacionamentos, a autoestima e a organização da rotina? Por que muitas pessoas só recebem o diagnóstico depois de adultas?

 

Dra Karolyne Fernandes - Muita gente associa o TDAH à criança agitada, mas, nos adultos, ele pode se manifestar como inquietação mental, impulsividade, irritabilidade e dificuldade para concluir tarefas. Essas características podem prejudicar o trabalho, os relacionamentos e a autoestima.

 

Muitos só recebem o diagnóstico na vida adulta, quando as responsabilidades aumentam e as dificuldades ficam mais evidentes. Ao longo da vida, também podem enfrentar julgamentos e ser vistos como preguiçosos ou irresponsáveis, mesmo quando estão se esforçando para lidar com os sintomas.

Gazeta Digital — Crianças com TDAH ainda podem ser rotuladas como desobedientes, preguiçosas ou mal-educadas. Como pais e professores podem reconhecer os sinais e ajudar essas crianças sem recorrer a punições ou julgamentos? Qual é o papel da escola e da família no acompanhamento?

Dra Karolyne Fernandes - Uma criança com TDAH nem sempre desobedece por vontade própria. Muitas vezes, ela entende a orientação, mas tem dificuldade para controlar os impulsos e manter a atenção. Isso não significa ausência de limites. Rotina, regras claras e reforço positivo são fundamentais.

 

Pais e professores devem observar se as dificuldades são frequentes e prejudicam o desenvolvimento da criança, evitando rótulos que comprometam sua autoestima. O papel da família e da escola é acolher, orientar e ajudar a criança a desenvolver suas habilidades.

Gazeta Digital — O tratamento ainda gera dúvidas e receios, principalmente em relação ao uso de medicamentos. Quais são as possibilidades de tratamento, quando a medicação é indicada e quais os riscos de deixar o transtorno sem acompanhamento? É possível ter qualidade de vida com o diagnóstico?

Dra Karolyne Fernandes - É possível ter qualidade de vida com TDAH. O tratamento vai além da medicação e pode incluir psicoterapia, estratégias de organização, orientação familiar e mudanças na rotina. A indicação depende das necessidades de cada paciente.

 

Assim como os óculos ajudam quem tem dificuldade para enxergar, o tratamento oferece ferramentas para lidar com os sintomas. Sem acompanhamento, o transtorno pode afetar os estudos, o trabalho, os relacionamentos e a autoestima. O diagnóstico não é uma limitação, mas o primeiro passo para uma vida com mais autonomia e qualidade.

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