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Cuiabá, Terça-feira 08/09/2026

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'político é mais sujo que puleiro de galinha' 08.09.2026 | 14h26

Em áudio, diretor diz que cada escola tem cota de votos para ex-secretário e faz ameaças; ouça

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Fred Moraes/GD

Fred Moraes/GD

O Ministério Público Eleitoral (MPE) investiga o suposto uso da estrutura da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) e a fixação de metas de votos a diretores escolares para favorecer a candidatura do ex-secretário da pasta, Alan Porto (Republicanos), à Assembleia Legislativa (ALMT).  

 

Um áudio atribuído ao diretor da Escola Estadual Santana do Taquaral, em Santo Antônio do Leverger (34 km de Cuiabá), Valmir Fernandes, cobra apoio político de professores e funcionários. Na gravação obtida pelo , o servidor ameaça de exoneração ou transferência os servidores temporários e efetivos que recusarem o voto no ex-gestor.  

 

Na gravação de um encontro realizado dentro da unidade de ensino, o narrador afirma que diretores da região se reuniram para estipular metas eleitorais para cada colégio. "São 13 diretores do município. Cada escola ficou com uma cota", diz o áudio, ao estipular o compromisso da sua unidade, que seria de "50 votos".  

 

Durante a conversa, ao notar a resistência dos funcionários em aderir à candidatura do ex-secretário, o gestor recorre a intimidações diretas, alertando sobre possíveis retaliações caso Porto não seja eleito ou retorne ao comando da pasta. "Ele vai chegar em mim e falar: 'Diretor, realmente o senhor não conseguiu os 50 votos (...) Aponta para mim quem não votou em mim. Quem não me apoiou, eu mato'", diz o diretor aos subordinados.  

 

O alvo principal das ameaças são os professores e servidores temporários. "E vocês são o quê? Contrato. E mesmo assim, está vendo? Porque é política, é marcação. E sendo efetivo ou não efetivo, vai colocar para outra... vai destinar ele para outro lugar. E nós, contrato? Quem é contrato? Ah, nada", pressiona Fernandes.  

 

Ao descrever os métodos eleitorais para a equipe, o diretor dispara: "Política chama-se jogo sujo (...) O político é mais sujo que puleiro de galinha".  

 

Em outro trecho da gravação, o gestor admite ter negociado contrapartidas com o próprio candidato em troca do engajamento eleitoral da comunidade escolar. "Eu virei para ele e disse: 'Se caso você for eleito, nós garantimos 50 votos com você. O que é que nós ganhamos com isso?' Lembra que você tem uma quadra lá para a sua comunidade? Para a sua escola? Falei. 'Eu quero'. Pois a quadra vai estar na mão", promete o diretor, sugerindo o repasse de verbas via emendas parlamentares.    

 

A apuração sobre o loteamento de cotas de votos em Santo Antônio do Leverger junta-se a uma série de procedimentos instaurados pela Justiça Eleitoral e pelo MPE para investigar o suposto uso da máquina pública na pré-campanha e campanha de Alan Porto.

 

O juiz Emerson Luis Pereira Cajango, da 55ª Zona Eleitoral, determinou o envio de manifestação ao MPE para apurar a conduta do candidato após a veiculação de um vídeo gravado em frente à Escola Municipal Nossa Senhora das Graças, no município de Comodoro (640 km de Cuiabá).  

 

Na gravação publicada em suas redes sociais oficiais, Porto aparece ladeado por servidoras uniformizadas da unidade escolar, o que pode configurar uso ilícito de agentes públicos em benefício de candidatura. Em outro episódio sob investigação do MPE, Porto foi recebido com honrarias de formatura militar por alunos e servidores da Escola Cívico-Militar José Dias, no município de Juara (710 km de Cuiabá).  

 

Imagens do evento mostram os estudantes perfilados em ordem unida, prestando continência ao ex-secretário. O MPE instaurou inquérito para avaliar se houve abuso de poder político e conduta vedada no ambiente escolar.  Em nota sobre os episódios anteriores, a assessoria de Alan Porto sustentou que suas agendas institucionais ocorreram dentro da regularidade e que as manifestações em escolas cívico-militares foram "atos espontâneos" inerentes à cultura daquelas unidades, sem conotação eleitoral.

 

Outro lado 

Por meio de nota, a assessoria de Alan Porto afirmou que todos os seus atos e atividades são realizados com absoluto respeito à legislação eleitoral e às normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

 

"Todas as ações da campanha são conduzidas com orientação jurídica e dentro dos limites previstos em lei. Eventuais questionamentos apresentados durante o período eleitoral serão respondidos nos autos próprios, com tranquilidade e transparência, sempre que houver determinação da Justiça Eleitoral", diz.

 

Já a Seduc não encaminhou resposta até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.

 

 

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