20.06.2004 | 03h00
O mundo assistiu às enormes homenagens dos norte-americanos ao ex-presidente Ronald Reagan. Muito se comentou sobre seu legado. Como vivi nos EUA durante todo o primeiro mandato dele, vou meter minha colher de pau nisso também. Mas talvez seja interessante contar uma pequena história daquele país antes dele chegar ao governo.
Os EUA tiveram uma época de prosperidade impressionante entre 1941 (fim oficial da depressão) até um pedaço da década de 1960. Daí para frente, até o governo Reagan, o país entrará numa fase complicada.
John Kennedy foi assassinado em 1963. Com Martin Luther King e Robert Kennedy aconteceu a mesma coisa em 1968. No período, a luta pelos direitos civis promovida pelos negros quase bota fogo no país. Surge até um movimento quase clandestino chamado "Panteras Negras". Em 1965 a Suprema Corte começa a matar a segregação racial com a decisão de "um homem, um voto". Os EUA perdiam a Guerra do Vietnã. Os jovens desafiavam as instituições com música, roupas, drogas. Woodstok foi o ápice desse movimento.
Lyndon Jonhson, que substituíra Kennedy, como perdia a guerra no sudeste asiático, não foi para a reeleição. Ganhou Richard Nixon no incrível ano de 1968 (inclusive no Brasil). Em 1974, ele teve de renunciar pelo escândalo de Watergate. Renúncia de um presidente num país como os EUA era uma brutal novidade. Seu vice, Agnew, já renunciara em 1973. Assume Gerald Ford. Em 1976, como resultado de Watergate, ganha o democrata Jimmy Carter.
No governo Carter aconteceram coisas que impressionam. Os juros chegaram a bater, em 1979, em 13% ao ano (hoje é 0,25%). No mesmo ano a inflação passou dos 13% e, como conseqüência do que ocorria na economia e com a segunda crise do petróleo, a gasolina naquele ano subiu 60%. As filas nas bombas de gasolina eram enormes. Lembro que nós estudantes chegamos a alegar aos órgãos bolsistas que as nossas bolsas lá deveriam levar em conta a inflação em dólar nos EUA. Essa é boa, não?
Nesse quadro, Carter foi para a reeleição. Para complicar ainda mais a vida dele, sua ação militar para recuperar 42 reféns no Irã (funcionários da embaixada) foi um desastre. Seu adversário, Ronald Reagan, ex-governador da Califórnia, ganhou fácil.
O período que vai de 1968 a 1980, quando assume Reagan, é intitulado pelos historiadores de "crise de confiança". As indústrias não conseguiam competir com o Japão e a Alemanha. Frente ao que ocorria na área industrial, a revista "Time" publicou uma famosa capa com o título "The Surrender" ou rendição, a mesma que ela fizera para a rendição dos japoneses na II Guerra. O país entrara em parafuso, portanto.
O que fez Reagan? Restaurou a confiança no país. Este é o seu maior legado. Mas para chegar a isso tomou algumas medidas.
Trouxe de volta os reféns do Irã. Atuou firme e colocou a economia nos trilhos. As empresas começam a se recuperar. Deu força ao nacionalismo e às coisas do país. Tirou mais ainda o Estado da economia. Atacou programas sociais ineficientes. Inventou o Guerra nas Estrelas. Colocou mais dinheiro em armas. Reagan ajudou a ganhar a Guerra Fria (o Muro de Berlim caiu em 1989). Juntou-se ao papa para atacar o comunismo. Com isso, tira a Igreja Católica da política na América Latina.
Outros fatos talvez ajudaram a criar uma imagem mais positiva dele. Sobreviveu a uma tentativa de assassinato, a dois cânceres e uma operação na cabeça. Tinha sorte em política: quebra da ex-União Soviética, por problemas internos, caiu no colo dele. Tinha ainda senso de humor e, como ex-ator, usava muito bem a televisão. Enfim, de 1980 a 1988, ele restaurou a confiança no país. Chegou até a eleger o sucessor, George Bush. Daí talvez as homenagens.
Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta.
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