20.11.2015 | 01h00
Consabidamente, Cuiabá é uma cidade quente, conhecida não só pelas altas temperaturas reinantes o ano todo como pelo esbanjar de calor humano, produtos naturais da terra. Mas, no período seco, de maio a outubro, com a continuidade de infindáveis e desastrosas queimadas assolando o Estado, mesmo os daqui sofrem, principalmente no escaldante outubro, mês mais quente do ano. A temperatura máxima diária chega, muito frequentemente, a superar 40ºC, 41ºC.
Dados recentes da agência americana de estudo do clima - NOAA mostram que os dez anos de temperaturas globais mais elevadas do planeta ocorreram todos após 1998. Este ano deve certamente ser confirmado como o mais quente já registrado desde 1880, até agora,sendo que dos dez meses mais quentes da história seis aconteceram em 2015. O recorde anterior estava com 2014.
Estudiosos das mudanças climáticas atribuem essa sucessão de anos quentes pós-1998 ao aquecimento global, consequência de emissões atmosféricas crescentes de gases, que absorvem a energia emitida pela terra, promovendo o aquecimento do planeta. Ou seja, a atmosfera não é aquecida diretamente pelos raios solares, ondas curtas que a atravessam, mas sim pelo calor reirradiado (infravermelho), logo, seu aquecimento ocorre de forma indireta e cresce com o aumento da concentração de poluentes no ar.
Neste ano há ainda o El Niño, fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais e subsuperficiais do Oceano Pacífico Equatorial e que pode afetar o clima em todo o planeta, mudando os padrões de vento e interferindo nos regimes de chuvas em regiões tropicais e de latitudes médias. Modelos de previsões apontam o El Niño atuante até o final do verão de 2015-2016. Sua última ocorrência data de 1997-1998, sugerindo que a tendência de aumento das temperaturas independe do fenômeno.
Em Paris, no próximo mês, realizar-se-á a 21ª Conferência do Clima (COP21), onde se espera reunir 196 países que, sob os auspícios das Nações Unidas, terão como principal objetivo construir um acordo ambicioso, equitativo e cientificamente fundamentado, para a contenção das emissões de gases de efeito estufa, diminuindo o aquecimento e, em consequência, limitar o aumento da temperatura média do planeta em 2ºC até 2100. O Brasil deve atuar em apoio e defesa do acordo.
Ao esforço que o país se propõe a realizar para reduzir as emissões é imprescindível se acrescentar o estímulo a iniciativas complementares, empreendidas a nível local,mobilizando representantes de entidades profissionais, empresariais, movimentos sociais, ONGs, entre outros,de forma a contribuir para reforçar o compromisso de redução das emissões, de adaptação aos impactos das alterações climáticas, ampliando a mobilização e somando-se às contribuições de Estado.
Reduzir as emissões é imperativo ao cuiabano, ao país e ao planeta. O gestor municipal tem aqui uma excelente oportunidade para operar mudanças, aliada a um planejamento de longo prazo, para, com coragem e sabedoria,discutir e implementar de forma transparente prioridades do município no enfrentamento às mudanças climáticas. Ai de ti, Cuiabá, se assim não for.
Paulo Modesto Filho é professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental-UFMT, doutor em Meio Ambiente e Biologia Aplicada pela Universidade Católica de Louvain-Bélgica.
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