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ENTREVISTA DA SEMANA 12.04.2026 | 07h00

'A vida não se resume ao trabalho', diz CUT sobre fim da escala 6x1

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LETYCIA BOND/AGÊNCIA BRASIL

LETYCIA BOND/AGÊNCIA BRASIL

A proposta que prevê o fim da escala 6x1 pode ser votada no Congresso Nacional nos próximos dias já conta com apoio da maioria da população. Levantamento com base na Pnad Contínua, do IBGE, mostra que cerca de 21 milhões de brasileiros trabalham além das 44 horas semanais previstas na CLT.

 

Segundo a pesquisa, apenas 27% são contrários à redução dos dias de trabalho, enquanto o apoio à medida cresceu em relação ao final de 2024. Entre os trabalhadores, 53% atuam até cinco dias por semana e 47% trabalham seis ou sete dias.

Mesmo entre os que seriam diretamente beneficiados, o apoio é menor: 68% dos que trabalham seis dias ou mais são favoráveis à mudança, contra 76% entre os que trabalham até cinco dias.

 

O setor empresarial critica a proposta e aponta risco de desemprego e impactos na economia. Já especialistas defendem que a redução da jornada para 36 horas pode gerar até 4,5 milhões de empregos e aumentar a produtividade.

 

Ao , o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Mato Grosso, Henrique Lopes, afirmou que a mudança é necessária para modernizar as relações de trabalho no país.

 

Gazeta Digital – O fim da escala 6x1 é uma pauta prioritária da CUT hoje? Por quê?

 

A CUT vê como extremamente relevante esse tema, até porque a redução da jornada de trabalho, sem redução de salário, faz parte das defesas históricas da Central Única dos Trabalhadores e de todo o movimento sindical brasileiro. Entendemos que a vida não é só trabalho; ela tem outras dimensões.

 

A redução da jornada, mesmo que na lógica do 5x2, permitirá que as pessoas tenham mais tempo para viver outras questões, como a religiosidade, a convivência familiar, os estudos e até o cuidado com a própria saúde.

 

Além disso, ao considerarmos as diferentes formas de organização familiar, como as mães solo, essa mudança pode garantir mais qualidade de vida, especialmente para as mulheres, que muitas vezes acumulam múltiplas responsabilidades.

 

Portanto, consideramos esse movimento essencial. Não concordamos com a ideia de que a mudança trará prejuízos à indústria ou ao comércio. Experiências anteriores mostram que a redução de jornada não causou os impactos negativos previstos. Acreditamos que a qualidade de vida da população será beneficiada, caso o Congresso Nacional avance com essa pauta.

 

Gazeta Digital – Quais são os principais prejuízos dessa escala para o trabalhador, na prática?

 

A vida não se resume ao trabalho. Hoje, há um alto índice de adoecimento ocupacional entre os trabalhadores. Além disso, o mundo já avançou tecnologicamente, com automação e inteligência artificial, o que exige uma nova organização do tempo de trabalho.

 

Os trabalhadores precisam de mais tempo para cuidar da saúde, da família, da vida pessoal e de outras dimensões além do emprego.

 

Também há um impacto econômico positivo: a redução da jornada, sem diminuição de salário, pode ampliar os postos de trabalho. Por isso, essa é uma pauta prioritária para a CUT.

 

Gazeta Digital – Como a CUT responde ao argumento de que o fim da 6x1 pode impactar negativamente a economia?

 

Esse argumento não é novo. Ao longo da história, justificativas semelhantes foram usadas contra direitos trabalhistas, como o 13º salário, as férias remuneradas e o descanso semanal. Em todos esses casos, dizia-se que haveria prejuízos às empresas, o que não se confirmou.

 

Acreditamos que a redução da jornada não afetará negativamente a economia. Pelo contrário, pode gerar mais empregos, melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e aumentar a satisfação no trabalho.

Além disso, a medida pode reduzir o absenteísmo, o estresse e os casos de adoecimento, trazendo impactos positivos também para a produtividade.

 

Gazeta Digital – Qual modelo de jornada a CUT defende como alternativa viável para substituir a 6x1?

 

Há diálogo no Congresso Nacional, com parlamentares comprometidos com essa pauta. O próprio presidente da República já sinalizou a importância do tema, que está em debate neste ano.

 

O movimento sindical tem promovido mobilizações em todo o país para discutir a questão. No próximo dia 15 de abril, será realizada uma grande marcha em Brasília, com a participação das centrais sindicais, e o fim da escala 6x1 estará entre os principais pontos.

 

O tema também será destaque nas mobilizações do 1º de maio, como forma de ampliar o diálogo com os trabalhadores e fortalecer a discussão sobre a jornada de trabalho no Brasil.

 

 

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