05.04.2010 | 03h00
Com 8 metros de comprimento por 4,5 metros de largura, a claraboia da Confeitaria Colombo foi reinaugurada na centenária casa situada no centro do Rio, na semana passada. Instalado no andar superior, onde fica o restaurante Cristóvão, o vitral passou cinco meses em uma oficina distante 35 quilômetros da confeitaria, no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde foi restaurado por completo.
Importada da França em 1922, a peça nunca tinha sido retirada do local - nem sequer para limpeza. Para restaurá-la, especialistas tiveram de desmontá-la em 135 pequenos módulos. Após a delicada operação, suas partes foram mergulhadas em um grande tanque, com água, detergente neutro e sabão. "Não usamos química mais corrosiva. A limpeza foi feita com sabão neutro para não danificar as cores", explica o vitralista Riedel Leite de Freitas. "Depois de limpo, iniciamos a pintura. Foi um trabalho de muita paciência", conta.
O trabalho foi comemorado por Lúcia Lydia Brandão Shabat, de 83 anos, cujas lembranças da juventude misturam-se às da confeitaria. "Eu vinha muito aqui na mocidade. Quando não era com mamãe, era com as amizades", conta a senhora franzina, apoiada em um dos diversos balcões que expõem doces e tortas feitas na casa.
Os balcões, assim como as mesas de quatro lugares, são iluminados pela luz do dia que o vitral permite entrar na casa. "Estou tirando fotos de todo o centro e não poderia deixar de fotografar a Colombo. Esse local faz parte da história da cidade. O vitral está lindíssimo", comemorava a estudante de publicidade e propaganda Juliana Boia, de 21 anos, na quinta-feira, enquanto tentava encontrar o melhor ângulo e enquadramento para os cliques.
Trazido da França pelo antigo dono, que atendia pelo apelido de Seu França, o vitral foi inaugurado junto com a primeira grande reforma da confeitaria. "O segundo andar funcionava como depósito e como hospedagem para os funcionários. Após a reforma, passou a funcionar como local para os clientes tomarem chá e café", lembra o chef da casa, Renato Freire, há dez anos no comando do restaurante.
Antonio Ribeiro França - nome completo de Seu França - é lembrado como um visionário. Antigo funcionário da casa, foi ele quem impulsionou os negócios da confeitaria. A claraboia, sem dúvida, está entre os feitos desse português. "Ele costumava eleger uma cor de toalha para cada dia da semana. Assim como o vitral, as pessoas visitavam a casa curiosas com a novidade", diz o chef.
Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Colombo hoje não desperta só a curiosidade entre os frequentadores. A casa, que chama a atenção na Rua Gonçalves Dias, uma via de paralelepípedos bem no meio do burburinho do centro da cidade, atrai excursões de turistas de todo o Brasil e do mundo. "Esse local é um patrimônio da história do Brasil. É emocionante estar aqui", diz a jornalista Rosana Major, de 45 anos. Ela e o marido, o professor de educação física Carlos Alberto Pinto, de 51 anos, visitavam a casa pela segunda vez. Câmeras nas mãos, os dois não desgrudavam os olhos da claraboia. "É impossível não se encantar com este local", afirma Carlos Alberto.
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