Receita de vitalidade 30.06.2019 | 18h05
João Vieira
"Você sabe dançar?", foi a primeira pergunta que a centenária Maria Pedrosa da Costa, 107, fez à reportagem no dia em que abriu sua casa no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá, para contar sua história.
Com a resposta afirmativa, prontamente se levantou de sua cadeira de fio encostada na parede da sala para arrastar os móveis. Assim, teria mais espaço para apresentar seu número de siriri, tradicional dança cuiabana pela qual é apaixonada.
Nascida na zona rural da baixada cuiabana, Maria nunca teve marido ou filhos e é a única viva de uma família com 12 irmãos. Atualmente, mora na casa de uma sobrinha, a servidora pública Evarista da Costa, 54.
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Apesar da muita idade, os anos e anos de vivência permanecem intactos na memória da centenária, que se recorda do nome dos familiares, da infância com os irmãos e dos tempos dos bailes e paqueras da juventude. As memórias são tantas que atropelam sua fala e a sobrinha precisa intervir, traduzindo algumas sentenças de Maria.
"Eu nunca namorei porque minha mãe não deixava, falava que os meninos ficavam só tapeando [enganando, no vocabulário cuiabano]. A gente ia para os bailes e eles ficavam olhando só de longe", se recordou.
Nascida em 1911, a centenária trabalhou na roça onde nasceu e eventualmente vinha à Cuiabá para trabalhar como doméstica. Viveu na casa da mãe metade de sua vida, até que a morte da matriarca foi morar com um irmão, pai de Evarista. Há um ano, com a morte de todos os irmãos, restou aos cuidados da sobrinha.
O gosto pelo siriri veio ainda muito pequena, por meio da tradição familiar de participar e organizar festas de santo. Daí, Maria nunca mais parou e, ainda, é a última a sair da pista de dança nos dias de evento. No dia em que nos recebeu em sua casa, dançou até sem música, compassada pelas batidas que a sobrinha fazia com a mão.
"Ela é alegre, conversa, dança. Quando a minha filha está aqui as duas dançam siriri o tempo todo. Lambadão ela gosta muito também. Ela acorda, gosta de acordar tarde, 8h, 9h, 10h. Eu dou café e ela assiste televisão. Mas ela levanta, é teimosa e às vezes levanta, gosta de fazer arte".
As consultas com o geriatra são apenas de rotina. Seus exames descartam problemas com diabetes e colesterol. Maria come de tudo e não tem nenhuma doença. O único cuidado especial é um multivitamínico que toma uma vez por semana. A estimativa da médica é que seu coração pare de bater pela idade, quando ela estiver dormindo.
Os cabelos brancos e a pele enrugada, contudo, contrastam com a rigidez de seus músculos ao arrastar os móveis pela sala e andar de um lado para o outro, impaciente, na expectativa e na ânsia de compartilhar suas histórias.
"Ela não tem nada, é muito forte e vai muito longe ainda", afirmou a sobrinha, com convicção. Quando a reportagem se despediu da senhora ao fim da entrevista, Maria logo disparou: "voltem aqui qualquer hora para dançar siriri". A próxima festa deve ser no dia 8 de dezembro, quando a centenária completa seus 108 anos e, como de costume, deve ser a última a parar de dançar.
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Márcia de Figueiredo - 01/07/2019
Tive o prazer de conhecê-la, uma pessoa alegre e feliz, que não tem tempo triste ou ruim, sempre rindo e se divertindo. Desejo tudo de bom pra ela, e que essa alegria seja motivo de muitos anos de vida pra ela...
cleia - 30/06/2019
Ela é maravilhosa, por onde ela passa contageia a todos. Sempre alegre, de bem com a vida.
2 comentários