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Cuiabá, Sábado 11/07/2026

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‘TRAÍRAM CUIABÁ’ 11.07.2026 | 13h08

Filho de senador afirma que exclusão de ramal de ferrovia é ‘caso combinado’ para isolar a Baixada

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Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

A recente inauguração do terminal da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, em Dom Aquino (166 km ao sul de Cuiabá), celebrada por lideranças políticas estaduais e federais como um marco logístico, foi duramente criticada pelo economista e analista político Vicente Vuolo. Em entrevista concedida ao Jornal do Meio-Dia nesta quinta-feira (09), o analista, que é filho do ex-senador que dá nome ao modal, criticou o ex-governador Mauro Mendes (União), o atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e a concessionária Rumo Logística.

 

Segundo Vuolo, há um movimento político e setorial deliberado para afastar a ferrovia da capital mato-grossense, descumprindo leis históricas e relegando a Baixada Cuiabana a um isolamento econômico. Ele afirmou categoricamente que, se depender da atual gestão do Palácio Paiaguás e dos interesses da concessionária, os trilhos jamais alcançarão Cuiabá.

 

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O economista destacou que o projeto original, idealizado há 50 anos por seu pai e respaldado pela Lei Federal sancionada em 1976 pelo presidente Ernesto Geisel, previa o traçado original passando obrigatoriamente por Rondonópolis (212 km ao sul) e Cuiabá, servindo como tronco de integração para o Norte e o Pacífico.

 

Contudo, ele aponta que as lideranças locais promoveram um desvio intencional do eixo ferroviário em direção ao norte do estado, transformando a capital em um ramal secundário sem garantias de execução.

 

“Eles se esquecem da história. A ferrovia não começa em Rondonópolis. Para ela chegar lá, tivemos que construir a ponte rodoferroviária sobre o Rio Paraná, uma luta intensa do meu pai. O governo do estado e a Rumo não podem rasgar a história e incentivar a criação de dois Mato Grosso: um rico, da BR-163 para lá, e o Oeste e a Baixada Cuiabana abandonados, criando um bolsão de pobreza no Vale dos Abandonados”, disparou o economista.

 

O analista denunciou uma brecha jurídica no edital de licitação formulado pelo governo estadual, alertando que o documento omitiu prazos e datas específicas de início e conclusão para o trecho destinado a Cuiabá. De acordo com Vuolo, a omissão contratual configura um descaso passível de questionamento legal e cassação da concessão pública, uma vez que o povo cuiabano aguarda o cumprimento da promessa há meio século.

 

Ele anunciou que pretende acionar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para contestar as irregularidades e revelou que, mesmo se tivesse sido formalmente convidado para o evento em Dom Aquino, recusaria o assento no palanque por considerar a cerimônia uma afronta à dignidade da capital.

 

“Se tivesse sido convidado, eu não iria estar ao lado deles lá. Eu estou ao lado do povo cuiabano, que está sofrendo aqui. Agora, o povo cuiabano tem que ter brilho e vergonha na cara de não votar nesses candidatos que traíram o Cuiabá. Desculpe a minha exaltação, mas é um desrespeito total à história de Mato Grosso, a quem amou esta terra, nasceu no Coxipó da Ponte, junto com a Universidade Federal de Mato Grosso, e o doutor Domingos Iglesias entregou o estudo técnico da ferrovia para Cuiabá. Desrespeitaram tudo isso, desviaram a ferrovia de Cuiabá”, pontuou em protesto.

 

Ao rebater os argumentos de que o traçado direcionado a Lucas do Rio Verde (354 km ao norte) possui maior atratividade econômica, Vuolo defendeu o potencial logístico, industrial e acadêmico da Baixada Cuiabana. Ele ressaltou que Cuiabá é o maior polo de consumo do estado e o centro geodésico da América do Sul, comparando o cenário com a Alemanha, que se consolidou como grande exportadora de chocolate mesmo sem produzir cacau devido à sua malha de transportes eficiente.

 

Ele argumenta também que a falta de infraestrutura pesada desencadeia um ciclo de desindustrialização e empobrecimento, em que o Brasil se limita a exportar commodities brutas e importar produtos industrializados de alto valor agregado. O que se exemplifica com o fato de a própria concessionária importar os trilhos da China em vez de utilizar o aço nacional.

 

O analista também lamentou o silêncio e a apatia institucional dos prefeitos de Cuiabá e Várzea Grande diante da exclusão da região metropolitana do mapa ferroviário da Rumo, em que o trecho da capital sequer consta nas projeções visuais da empresa. Ele traçou um paralelo com a substituição do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) pelo sistema de BRT movido a diesel, classificando a decisão governamental anterior como um “crime doloso” contra a mobilidade urbana sustentável.

 

Ao final, emocionado ao ser questionado sobre a memória de seu pai, Vicente Vuolo assegurou que o falecido senador jamais se alinharia aos que “traíram Cuiabá”, e convocou a sociedade civil, a classe política regional e as entidades comerciais a se unirem em uma frente de resistência para exigir que o governo federal intervenha e devolva a Cuiabá o papel de protagonismo no desenvolvimento nacional.

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