29.02.2004 | 03h00
As estradas mato-grossenses escondem um grande vilão em época de safra: o uso indiscriminado do "arrebite" pelos caminhoneiros. Apesar de ser classificado como um medicamento psicotrópico, por ser um estimulante do sistema nervoso central, ele é vendido, clandestinamente, em muitos postos de gasolina e farmácias do interior. O efeito dele no organismo é devastador e pode provocar até a morte por parada cardíaca.
Segundo a médica Graciela Bussiki da Costa, o "arrebite" faz tão mal que, além de causar sensação de "boca seca", visão borrada, irritabilidade, arritmia e taquicardia, também provoca o efeito "rebote", o que pode levar a pessoa a dormir horas seguidas (ou até dias). Quem faz uso deste recurso também é um forte candidato à depressão. Graciela explica ainda que o medicamento é "dose dependente", isto é, a cada vez é preciso aumentar o número de comprimidos para atingir o efeito desejado.
"A automedicação não é recomendável para esse tipo de utilização, porque os efeitos colaterais no organismo ficam pequenos diante da possibilidade de um acidente de trânsito, que pode envolver outras pessoas. O caminhoneiro que usa o "arrebite" fica com baixa sensibilidade e visão disforme, mas, na rodovia, é preciso ter muita atenção para dirigir".
Na Grande Cuiabá, existem dois grande pontos de parada para os caminhoneiros: final do bairro Industriário e próximo ao Trevo do Lagarto (em Várzea Grande), na BR-364. A proprietária do posto São Mateus, no Industriário, Jacira Begnes, nega a comercialização do medicamento, mas confirma que o estabelecimento já vendeu no passado. Dos 150 caminhoneiros que passam por lá todos dias, pelo menos 10%, cerca de 15, perguntam pelo "arrebite" e dizem não conseguir trabalhar sem ele.
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