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DEU EM A GAZETA 24.06.2026 | 06h53

Capitão diz que ninguém queria dar curso na lagoa em MT

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

“Eu não me candidatei para ministrar esse curso. Estava gozando de licença quando recebi a determinação do Comando Geral para assumir, já que ninguém queria dar o treinamento, pelo risco que oferece”. A afirmação é do capitão bombeiro Daniel Alves de Moura Silva, o D’Alves ou D’Louco, durante depoimento na ação penal que responde pelo homicídio do aluno bombeiro Lucas Veloso Peres, 27, ocorrido na Lagoa Trevisan, em 27 de fevereiro de 2024.

 

Além de Daniel Alves, o outro réu, o soldado Kayk Gomes dos Santos, e o médico -legista, Paulo Luiz Batista Nogueira, foram ouvidos na terceira audiência de instrução, realizada na 11ª Vara da Justiça Militar, na tarde desta terça-feira (23). A defesa dos réus também reforçou que os dois instrutores não perceberam que o aluno enfrentava uma situação de exaustão extrema que pudesse ter provocado sua morte, já no início do treinamento, que seria o último da 19ª Turma em formação pela corporação.

 

Os dois réus atribuíram ao próprio aluno a responsabilidade por não ter relatado ou demonstrado que não tinha condições de permanecer na água, sem ajuda dos dois equipamentos de flutuação, que foram retirados dele durante o treino que previa transpor cerca de 400 metros de distância, em nado de peito ou crawl, após a realização de uma breve corrida de cerca de um quilômetro. Mas já nos primeiros 30 metros, Lucas Veloso se apoiava no flutuador life belt, que ele e o parceiro disputavam.

 

Por ordem do capitão D’Alves, foi retirado o equipamento e o aluno seguiu no grupo, mas estava atrasando a equipe composta por seis alunos. Lucas, então, pediu o equipamento do colega de outra dupla para tentar seguir, quando D’Alves percebeu que ele boiava e se aproximou, deixando o pranchão que usava mergulhando ao lado de Veloso. Em depoimento, o capitão confirma que determinou que Lucas devolvesse o flutuador para o colega e que decidiu que iria acompanhar o aluno até o fim da prova, atuando como “canga” dele (parceiro).

 

O objetivo seria não atrasar o restante do grupo e motivá-lo para concluir a prova dentro do ritmo do aluno. Por sua vez, o médico-legista reforçou que não há dúvidas que a morte do aluno Bombeiro foi por afogamento. Além da necropsia, ele assinou um laudo complementar de mais de 50 páginas, requerido pela defesa dos réus. O perito ressaltou que exames físicos e laboratoriais descartam que a morte poderia resultar de uma cardiopatia.

 

Cita ainda que exames laboratoriais feitos com o sangue da vítima não encontraram nenhum vestígio de medicação ou drogas. A fala responde diretamente a defesa dos réus, que cita que a vítima fazia uso de medicação controlada, o que poderia ter contribuído para a perda da coordenação motora.

 

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