604 profissionais registrados 25.01.2026 | 13h15

maria.klara@gazetadigital.com.br
Chico Ferreira
O avanço dos aplicativos de transporte mudou a rotina de mobilidade urbana em Cuiabá, mas não colocou em extinção o táxi. Mesmo após a popularização das plataformas digitais, o serviço tradicional segue ativo, competitivo e, nos últimos anos, tem recuperado passageiros que tinham migrado para os apps. Entre os principais fatores que garantem a longevidade estão a segurança, a previsibilidade das tarifas e o atendimento personalizado.
É o caso da analista Helena Moreira, 53, que costuma utilizar o meio de transporte sempre que precisa realizar um deslocamento para demandas de seu emprego.
“Prefiro, por já ter um motorista que sempre me atende. Ele sempre chega na hora marcada, me sinto mais segura e sem preocupações", conta Helena.
A escolha dela não é um caso isolado, muitos passageiros ainda preferem a fidelidade ao taxista na hora de ir de um lugar ao outro.
É o que afirma o taxista Matheus Giovani Soares, 26, que atua na profissão desde fevereiro de 2025. Ele já havia trabalhado como taxista em 2019, por cerca de seis meses, e voltou à atividade ano passado. Matheus também carrega a profissão no DNA: é neto de taxista aposentado, filho e sobrinho de profissionais que estão na ativa há mais de 35 anos.
“Escolhi essa profissão porque minha família me criou dentro dela. É uma profissão de respeito e tradição”, relata.
Matheus explica que a renda no fim do mês é garantida, mas o orçamento apertado. “Infelizmente é uma categoria que não recebe aumento de tarifa há 10 anos e foi esquecida pelo poder público. Dá para sobreviver, mas não dá para dizer que está fácil”, afirma.
O taxista conta que o perfil dos usuários mudou ao longo dos anos. “Hoje os passageiros estão retornando ao táxi. Temos todo tipo de público, mas quem usa com mais frequência são empresas, pela segurança e facilidade de emissão de nota fiscal, e idosos, pela tradição e confiança no serviço”, diz.
Perfil de Helena, que utiliza o transporte para demandas profissionais. “Para reuniões e compromissos de trabalho, prefiro o táxi. Não corro risco de o motorista cancelar e atrasar meu dia”, afirma.
Entre os principais entraves da profissão, Matheus aponta a falta de reajuste tarifário e o aumento expressivo dos custos. “Protocolamos um pedido de aumento em agosto do ano passado, mas até hoje está em trâmite. Em outros tempos isso era resolvido rapidamente. Hoje, um carro zero quilômetro custa em média R$ 100 mil, e usamos a mesma tarifa de quando ele custava cerca de R$ 45 mil”, argumenta.
O motorista afirma que já pensou em mudar de área por causa dessas dificuldades e lembra que muitos colegas abandonaram a profissão. Ainda assim, acredita que o táxi não vai desaparecer. “Pode mudar de nome, mas a função é eterna. A necessidade de transporte sempre vai existir”, avalia.
Sobre a concorrência com os aplicativos, Matheus diz que, no início, ela foi desleal. “Os preços eram pela metade, vieram para aniquilar a nossa profissão. Hoje, em valor, a disputa é justa. Em qualidade, muitas vezes ganhamos. Nosso táxi comum equivale ao carro confort de aplicativo”, compara.
Ele também relata que já utilizou plataformas que permitem o cadastro de táxis. “Uso quando faço uma corrida para um local afastado do centro e fica difícil pegar retorno. Ativo o aplicativo para tentar voltar para a região central”, explica.
Segurança para cliente e motorista
Na avaliação do taxista, a segurança tem sido um fator decisivo para a volta de passageiros ao serviço tradicional. Dados da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso mostram que, entre 2023 e novembro de 2025, foram registrados crimes envolvendo táxis e veículos de aplicativo no estado, principalmente furtos, estelionatos, ameaças e roubos.
Os furtos lideram as ocorrências: foram 70 registros em 2023, 79 em 2024 e 14 em 2025 até novembro. Já os casos de ameaça e roubo apresentaram queda contínua no período, chegando a apenas um registro em 2025.
Outro ponto citado por Matheus é a fiscalização. “Nós somos fiscalizados constantemente pela prefeitura, que não permite carros em más condições. Já muitos aplicativos deixaram de ser severos com a qualidade dos veículos”, destaca.
Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, Cuiabá conta hoje com 604 permissionários de táxi, dos quais cerca de 300 estão regularizados.
Para Matheus, isso é primordial. “Muita gente voltou para o táxi, principalmente por segurança. Hoje praticamente todas as classes sociais utilizam o serviço”, conclui.
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
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