01.01.2018 | 08h00
Otmar de Oliveira![]() João Victor, Síria, Maria, Vanderlei e Neide contam como superaram problemas pessoais e sociais em 2017. E o seu ano, como foi? |
O ano foi ruim, por causa do caos na política, do desemprego e da "falta de grana", na opinião da maior parte dos cuiabanos, que, a pedido da reportagem, fizeram uma análise de 2017. Muitas reclamações também do acesso à saúde pública e da falta de esperança. O que segurou o astral mesmo, também para maioria, foi a família, o sucesso dos filhos, a alegria de netos, além de amigos e Deus, também citados pelos entrevistados.
Há 2 anos, a diarista Síria Sampaio, 52, perdeu um filho ainda jovem, aos 26 anos. Viveu um luto muito difícil e este ano de 2017, quando poderia melhorar, acabou perdendo o emprego de copeira em uma firma e a mãe dela foi diagnosticada coma alzheimer. "Para piorar, meu marido está ameaçando me largar. O ano não foi bom, mas já coloquei na minha cabeça que minha vida vai melhorar, porque já percebi que só depende de mim", constata ela, passeando pelo centro de Cuiabá com 2 netas.
Funcionária de uma conveniência, Maria Tereza Pacheco Dias, 51, do CPA 3, também passou pela experiência de perder filho jovem. Cardíaco, morreu aos 28 anos. Para ela, morte em família é um fato que deve ser levado em conta para avaliar se um ano foi bom ou ruim. "Pior coisa é perder filho, a mãe, uma pessoa amada", ressalta. Outro fator que faz a diferença é a questão do emprego. "Estou trabalhando mas tem muitos parentes e amigos meus procurando e não acham. Fazem entrevistas e nada", lamenta. Enquanto as coisas não melhoram, o que dá felicidade à Maria Tereza são as netas. "Tenho 3 princesas que me ajudam a superar qualquer coisa", afirma ela.
O estudante Joã Victor da Silva, 19, do bairro Alameda, em Várzea Grande, viveu luto duplo em família, mas em 2014. Já tinha perdido o pai, com Aids, e perdeu também a mãe, ambos vítimas do HIV. Ele está sendo criado pela avó, 78, pessoa que ele mais ama no mundo. "Amo demais!" - reforça. Foi ela que o ajudou a superar as perdas e que o incentiva a ir adiante. O ano de 2017, para ele foi bom. Formado no Ensino Médio, arrumou um emprego com carteira assinada no Mercado do Porto, em uma quitanda, onde teve várias experiências. "Aprendi muito, conheci várias pessoas, amadureci", avalia. Agora, uma vez formado, já pode pensar em fazer faculdade. Para ele, um ano é bom se mantém amigos leais e conhece pessoas novas. Outra coisa que importa para ele é harmonia em família. "Na minha e em todas, acho, sempre tem aquelas confusões, mas eu fico no meu canto, porque não acho isso legal", comenta.
Na política, a "roubalheira para todo lado" ficou explícita e isso chateou a cuidadora de idosos Neide Magalhães, 40, do Porto. Segundo ela, no entanto, é falso pensar que todo mundo não presta. "Conheço muita gente honesta e trabalhadora, além disso, não teve nenhum caso de doença na minha família e por isso avalio que 2017 foi sim um ano bom, apesar da política, que me tira esperança e me dá mal estar", pondera.
O cortador de mármore e granito Vanderlei Pereira, 58, está "doido para acabar logo esse 2017". Ele teve grave problema nos olhos. Perdeu a visão total no olho esquerdo e parte da visão no olho direito, o que o assustou. "Tive que operar, só que não consegui pela saúde pública, foi pelo Lions. Remédios, que são caros, também não consegui, tive que comprar e isso sem poder trabalhar direito, porque meu ofício exige enxergar para fazer o corte certo com a lâmina fina", explica. "A gente só se sente brasileiro quando, que nem eu, fui à formatura da minha filha e tocou o hino nacional, que eu canto com a mão no peito, mas vai precisar da saúde para ver, a gente não é tratado como brasileiro não", reclama. "Mas eu sou muito apegado com Deus e com meu neto, que - Nossa Senhora! - é minha paixão, me dá força, me distrai dos problemas".
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.