GERAÇÃO DE 1990 22.03.2020 | 16h43

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Reprodução/Facebook
Em 1992, a Eurodance estourava pelas pistas de dança do mundo e a tendência não demorou para chegar em Cuiabá. Outras boates já atraiam os jovens adultos da época, mas foi na El Templo, boate com 3 ambientes em uma das principais avenidas de Várzea Grande, que a geração ficou marcada.
Os amigos Nelson Pasinato e Edison Baracat já tinham tido experiências com outras boates na cidade, mas não imaginavam que se tornariam sócios novamente no início da década de 1990. "Eu tinha acabado de fechar uma boate, aí encontrei com ele e na conversa, decidimos abrir uma nova danceteria em VG", contou Nelsinho, como é conhecido pelos amigos.
Para começar a construção da boate, mesmo com pouco dinheiro, começaram a promover festas para arrecadar fundos. Um sucesso. Meses depois, Edilson se jogou nas pesquisas sobre as melhores boates do país, adquiriu vários equipamentos de som, iluminação e claro, decoração.
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Mas antes, a boate passou pelo processo da escolha do nome. "Eu fiz uma pesquisa, uma promoção, as pessoas mandavam as dicas de que nome elas queriam que a boate tivessem. Uma delas sugeriu El Templo, e eu gostei, dava para fazer muita coisa decorativa, como tumbas, faraós e outras coisas da cultura egípcia".
Nelsinho conta que a boate foi construída na bate da luta. "A gente não tinha nada". Mas foi com a experiência dos dois que a El Templo ganhou forma, cores e claro, sonoridade. A música, segundo Edilson foi um diferencial, especialmente para quem gostava de dançar.
'Dava de tudo'
"Uma vez estive no Rio de Janeiro e conheci um amigo piloto que sempre estava em Ibiza, na Espanha, então, ele trazia para mim os discos as as melhores músicas da Eurodance, as músicas que eram lançadas nas pistas de lá, que demorava meses para chegar aqui, eu conseguia antes e o pessoal pirava", contou Edison.
Segundo ele, o diferencial da boate era justamente esse: as músicas. Os 3 ambientes agradavam a todos, quem queria música ao vivo, ficava do lado de fora, quem queria dance, ficava na pista fechada e ainda tinha o pagode explodia na década de 90.
"As outras boates eram frequentadas pela elite, pela cuiabania, pela elite de VG, mas na El Templo dava de tudo, todo mundo se misturava. Nossa intenção não era elitizar, mas aconteceu da casa de tornar um sucesso, tinha gente de tudo quanto é tipo, sem pose".
Nelsinho recorda que, na época, ele ficava mais na administração da boate e que, na contabilidade, 80% do pagamento era feito com cheques de clientes de Cuiabá. "A casa funcionava de sexta a domingo, o povo saia de Cuiabá e lotava para entrar na boate, todo mundo sabia que, se queria dançar, era só ir lá".
A boate trouxe ainda bandas do cenário nacional e internacional, além de celebridades que começavam a carreira na década de 90, como André Marques, Giovana Antonelli, Marcelo Antony e outros. Concursos também eram frequentes na casa.
Mas para Edilson, o sucesso foi no dia do lançamento do disco com as músicas mais tocadas pela casa, lançado por uma gravadora nacional. "Foram mais de 2 mil pessoas para fora, foi uma loucura, um fervo só", lembrou.
Pista cheia
Joylson Silva foi um dos DJs que animaram as noites da El Templo e que, apesar de ter começado a tocar anos antes, nas matinês do Clube Dom Bosco, foi na boate que ele ganhou notoriedade. "Fui o DJ residente da casa por 6 anos seguidos, ao seja, do começo até o fim da boate, nas 3 noites em que a casa funcionava", lembrou.
Ele tinha 17 anos em 1989 quando frequentava o Clube Dom Bosco e se interessou pela mixagem de som, como conhecia o pessoal que trabalhava lá e depois de muito manusear o equipamento, pediu para ser DJ. Ali começava uma carreira que completa 31 anos em Abril.
"Ainda tocava no clube quando abriu o Yes Bananas, no CPA, uma amigo ia ser DJ lá, mas ele tinha muita experiência e me chamou para ajudá-lo e eu fui. Comecei a tocar e o Edilson estava lá, eu não o conhecia, só tinha ouvido falar", lembra.
Quando o DJ desceu da cabine, foi abordado pelo empresário, que já estava na pesquisa para abrir a El Templo e convidou Joylson para tocar na boate. "Como a boate ainda estava em processo de construção, começou a fazer festas para arrecadar dinheiro e eu fui me apresentando junto, fazia sets de 40 minutos, era muito bom".
Ao mesmo tempo que atuava como DJ, Joylson era Bancário. Mas com os anos passando, a agenda apertada nas casas noturnas da cidade, optou pela paixão nas picapes. "00h30 a gente abria a pista de dança com uma vinheta, que era a música do momento, então, ela mudava sempre. Era uma tendência, cada temporada era uma, o pessoal adorava".
Ele garante que, quem o vê hoje em dia, ou quem ouve algumas das músicas, diz: essa é a cara da El Tempo. "Era muita gente que passava pelas noites da boate, imagina 3 noites seguida por final de semana. Então tem muita gente que chega falando que lembra de mim, das músicas, o que é gratificante".
A El Templo fechou as portas em 1998 e de lá pra cá, muita coisa mudou, mas para Edilson e Nelsinho, o 'auge' da danceteria será sempre lembrado com muita saudade por aqueles que vivenciaram o melhor dela.
Confira a playlist
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
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Maristela souza - 26/06/2024
Me lembrou com nostalgia da el templo ,de chegar e ver o pedacinho mais movimentado da Couto Magalhães, tempo bom com música ótimas.
JADIR BRUM - 23/03/2020
El`Templo realmente eram tempos mágicos tive o prazer de conhecer está boate em seu auge......Parabéns!!!
Cleyton - 22/03/2020
Não conheci infelizmente a El Templo, mas essas músicas curto mto até hj...Grande DJ Joílson toca mto....um abraço aqui é o irmão de Adrien....parabéns pela matéria Gazeta, mto bom mesmo
3 comentários