DEU EM A GAZETA 09.03.2026 | 06h56

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Reprodução
Em cinco anos, Mato Grosso registrou 11.749 crimes de estupro e estupro de vulnerável, entre 2021 e 2025. São 3.279 estupros em adultos e 8.470 em vulneráveis, entre crianças, adolescentes, idosos e portadores de necessidades especiais, entre outros. Uma média de seis registros diários de um crime que tem como principal característica a subnotificação, já que o número de vítimas que procuram a polícia para denunciar os ataques pode representar apenas 10% do total, estima Rosângela Guarienti Ventura, coordenadora de Perícias de Biologia Molecular da Perícia Oficial e Identificação Técnica do Estado (Politec).
Dos casos de crimes sexuais denunciados em que as vítimas são encaminhadas à perícia, em apenas 5% deles são obtidas provas contra os autores. Um crime que tem como principal alvo mulheres, mas também crianças, adolescentes e idosos, acontece dentro de casa, na rua e agora por meio das redes sociais, onde crianças e adolescentes têm sido aliciados por criminosos sem que pais e responsáveis percebam. Expor crianças e adolescentes às redes sociais é como abandonálos no meio da rua, vulneráveis ao ataque dos aliciadores digitais, alerta a médica Alessandra Carvalho Mariano, diretora de Medicina Legal da Politec em Cuiabá.
De acordo com Rosângela Ventura, as idades das vítimas variam desde 3 meses até 84 anos de idade, e é extremamente importante que, tão logo procure uma unidade policial, a vítima seja encaminhada à perícia, bem como as roupas que usava no momento do ataque. Em casos de estupros coletivos, a perícia no local onde ocorreu o crime é de suma importância para que seja coletado material genético do autor ou autores do crime sexual.
Mas a perita lamenta que, apesar de ser um dos crimes mais desumanos, o crime sexual, em sua maioria, faz com que a sociedade em geral primeiramente julgue a vítima, em vez de se preocupar com a identificação e punição do autor. Esse seria um dos motivos que fazem com que muitas mulheres sofram caladas e não denunciem os abusos. “Apoiar e acolher uma mulher que foi vítima de crime sexual é dever de toda a sociedade, pois sabemos que esse tipo de criminoso é reincidente. Se não for preso, fará novas vítimas. Então, todas as demais mulheres correm risco”, alerta Rosângela Ventura.
Em uma sociedade machista e misógina, é comum atribuir à roupa que a vítima usava ou mesmo ao fato de ela estar sozinha no momento do ataque fatores que teriam contribuído para o crime, diz. Outro detalhe é que o predador sexual nunca admite ter praticado o ato. Cita o caso recente de um deles que chegou a fazer um boletim de ocorrência contra a vítima, depois de ser denunciado, dizendose vítima de injúria, mas ao final a perícia confirmou que ele havia sido o autor do crime sexual.
“Por isso, a sociedade precisa apoiar as vítimas que têm a coragem de denunciar os crimes, pois, ao identificar esses criminosos para que sejam punidos, evita-se que outras mulheres sejam atacadas.” Os crimes sexuais não deixam apenas marcas físicas nas vítimas, mas sequelas psicológicas que a vítima irá carregar por toda a vida e que podem levá-la à automutilação e ao autoextermínio, alerta Alessandra Carvalho. Por isso, não se deve revitimizar a vítima nem expô-la, não aumentando assim seu sofrimento, alerta a médica perita. Cita que existem vários tipos de criminosos sexuais, a exemplo dos intrafamiliares, que fazem vítimas dentro do meio em que convivem.
São abusadores crônicos, que geralmente não levantam suspeitas e por anos submetem as vítimas vulneráveis aos seus atos libidinosos. Os “estupradores familiares” também deixam profundas marcas psicológicas. Existem ainda os estupradores em série, que também atacam as vítimas nas ruas, geralmente com um perfil definido de alvo. Alerta, no entanto, que os predadores sexuais hoje ampliaram seu raio de ação com as redes sociais, principalmente em relação aos vulneráveis.
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