DEU NA GAZETA 05.09.2021 | 07h08

silvana@gazetdigital.com.br
Luiz Leite
Empresas são protagonistas de mudanças na sociedade. Muitas assumem o papel de contribuir de forma efetiva para reduzir
as desigualdades sociais, indo além da geração de emprego e arrecadação de impostos. Em Mato Grosso, um dos exemplos mais emblemáticos é o Atacadão da Carne. O açougue, localizado no bairro CPA, em Cuiabá, que ganhou notoriedade
nacional por fazer há dez anos doações de ossos bovinos com resquícios de carne. Com a crise econômica agravada pela pandemia do novo coronavírus, a “fila do ossinho” cresceu. Hoje são atendidas mais de mil pessoas, entre cadastrados e
agregados, em busca dos pacotes de ossos com carne e sacolões doados pela proprietária do açougue em parceria recente com outras empresas.
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“Antes vinham em torno de cem pessoas. Mas, teve um dia nessa pandemia que me assustei, quando entreguei 242 pacotinhos (de ossos bovinos)”, relembra a empresária Samara Rodrigues de Oliveira.
A média de atendimento a 250 pessoas por dia, 3 vezes na semana, só foi crescendo. “Nos dias de (entrega de) sacolão, chego a atender 513 pessoas cadastradas, fora outras 750 que não possuem cadastro, mas recebem os ossinhos também”, detalha. A maioria está desempregada, conforme constata a empresária que protagoniza as doações. Em Mato Grosso, 162 mil pessoas precisam de trabalho mas não conseguem emprego. A taxa de desocupação é de 9%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre os milhares de desempregados está Marcela Alves dos Santos. “Fiquei sem poder trabalhar depois que sofri um acidente com queimaduras de 2º grau. Tive 45% do meu corpo queimado. Como não estava trabalhando com carteira assinada, não consegui benefício do INSS. Hoje não posso pegar sol quente e nem trabalhar, então venho para fila. Estou comendo só isso, porque não tenho dinheiro para comprar carne”, expõe.
Para ela, a solidariedade da empresária faz a diferença na vida de muitas famílias. Marcela vive com o marido, que também está sem trabalhar, devido a uma fratura na clavícula.
“Faz uns dez meses que recebo as doações. Ajuda bastante em casa, porque estou desempregada. Moro sozinha e estou doente”, diz Maria José da Silva.
A soma de esforços entre empresas para ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade contribui para diminuir o abismo da desigualdade, considera Samara. “Nunca somei quanto gasto com as doações”, afirma.
E há um gasto com embalagens, energia para serrar os ossos e em ceder dois colaboradores para preparar as entregas. Poderia estar faturando mais se vendesse as sobras de carne retidas nos ossos, na forma de outros cortes, explica. “Se cada um fizer um pouco, não esperar só pelo sistema e pelos ‘homens de poderes’, com certeza dá para ajudar e dar um pouco de dignidade para essas pessoas”, pondera.
Além das doações, a empresa “adotou” algumas famílias, assumindo despesas com energia, água e medicamentos. O governo também poderia incentivar as empresas a praticar ações solidárias, considera a empresária. “Para as empresas também não está fácil, com tantos impostos a pagar”, arremata.
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