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pressão social e positividade tóxica 21.03.2026 | 15h00

Especialista explica como a obsessão pela felicidade afeta o equilíbrio emocional

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Gerado por I.A

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Criado pela Organização das Nações Unidas em 2012, o Dia Internacional da Felicidade é celebrado anualmente em 20 de março e propõe a valorização do bem-estar como um objetivo humano fundamental. No entanto, a busca constante por esse estado tem gerado reflexões sobre os impactos da cobrança na saúde emocional.

 

Segundo a resolução A/RES/66/281, a ONU reconhece a felicidade e o bem-estar como metas universais, além de destacar a importância de políticas públicas que promovam desenvolvimento sustentável, erradicação da pobreza e qualidade de vida.

 

Mas, na prática, essa busca tem se transformado em pressão social. Para entender o fenômeno, o conversou com a psicóloga Cristiane Bianchi, especialista em educação corporativa.

 

De acordo com a profissional, a forma como a felicidade é encarada mudou ao longo do tempo. “Antigamente, ela não era vista como um estado constante, mas como momentos. Estava ligada ao básico: ter o que comer, segurança, família e saúde. Era algo simples, vivido no presente”, explica.

 

Hoje, no entanto, esse conceito ganhou outra dimensão. “A felicidade deixou de ser uma experiência e passou a ser quase uma meta de desempenho. Vivemos em uma sociedade que, não só valoriza, mas cobra que ela seja constante, visível e até comprovada”, afirma.

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Influência das redes sociais
O ambiente virtual tem papel central nessa transformação. Segundo a psicóloga, as redes sociais criam uma percepção distorcida da realidade.

 

Divulgação

Cristiane Bianchi

 

“As pessoas mostram recortes, não a vida real. Você vê conquistas, viagens e sorrisos, mas não vê o cansaço, os conflitos e as inseguranças. Isso gera a sensação de que todo mundo está feliz o tempo todo, menos você”, pontua.

 

Esse cenário alimenta a comparação e a autocobrança. “A busca deixa de ser por felicidade e passa a ser por validação. Muitas vezes, as pessoas querem mais parecer felizes do que, de fato, serem”, completa.

 

Impactos na saúde mental
A tentativa constante de alcançar um estado de felicidade permanente pode trazer consequências negativas. Entre elas, ansiedade e sentimento de culpa.

 

“Vivemos uma cultura de alta performance emocional. Não basta ter sucesso profissional, é preciso ser produtivo, equilibrado, positivo e feliz sempre. Quando isso não acontece, surge a sensação de fracasso”, explica.

 

A especialista ressalta que essa exigência é insustentável. “A pessoa tenta atingir um padrão irreal. Como não consegue, começa a acreditar que o problema está nela”, diz.

 

Outro ponto destacado é a necessidade de reconhecer emoções consideradas “negativas”.

 

“Emoções são mensageiras. A tristeza mostra o que importa, a raiva revela limites ultrapassados, a frustração aponta expectativas desalinhadas e o medo indica onde precisamos crescer ou nos proteger”, exemplifica.

 

Evitar esses sentimentos, segundo ela, impede o autoconhecimento. “Quem evita sentir, evita se conhecer. E sem isso não existe crescimento real, apenas repetição de padrões.”

 

Positividade tóxica
Frases como “pense positivo” ou “é só ser feliz”, embora comuns, podem ser prejudiciais. “Elas simplificam algo complexo. Quando alguém está em sofrimento e ouve isso, o que chega não é apoio, é invalidação”, alerta.

 

Esse comportamento está ligado ao que especialistas chamam de positividade tóxica, quando há uma tentativa excessiva de manter pensamentos positivos, ignorando emoções difíceis.

 

“A positividade saudável acolhe. A tóxica silencia”, resume.

 

Entre os sinais estão a minimização da dor, a pressa em “resolver” sentimentos e a obrigação de estar bem o tempo todo. “A pessoa passa a esconder o que sente, e emoções reprimidas não desaparecem, elas se acumulam”, finaliza.

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