CAUSAS INVESTIGADAS 07.07.2021 | 09h25

redacao@gazetadigital.com.br
Chico Ferreira
Inversão térmica ou lançamento de algum material no corpo da represa podem ter sido as causas da morte de uma grande quantidade de peixes no Lago do Manso (90 km de Cuiabá), após o frio na última semana, segundo especialista. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) investiga as causas, apesar de suspeitar que a ocorrência tenha sido num criadouro particular em tanque rede ou, em segunda hipótese, que tenha ocorrido desestratificação térmica (falta de oxigênio na superfície por troca térmica da superfície com água mais profunda).
Para ambos os fatos citados, quanto mais rápido as amostras forem coletadas, maior a confiabilidade dos resultados da investigação, segundo o ecólogo, doutor, Claumir Cesar Muniz, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat).
Ele ressalta que alguns contaminantes tem ação curta e logo são absorvidos pelo sistema. O ideal é ter coletas imediatas. Quanto a inversão térmica, com o aumento da temperatura, o sistema tende a retomar suas características inciais.
Nos vídeos que circulam nas redes, pescadores estimam a mortandade em algo próximo de 40 toneladas. Para o professor, entre os fatores que podem ser considerados na morte dos animais, um deles é a inversão térmica. Estamos saindo de um período com temperaturas bem baixas, as menores registradas este ano para Mato Grosso. Isso faz com que a coluna dágua sofra perturbação, fazendo com que a massa de águas profundas, como é comum em reservatórios de hidroelétricas, suba. Essas águas tem menor quantidade de oxigênio, podendo levar a morte de peixes por hipóxia, explica.
Outra questão aventada é que a inversão térmica não tem potencial para alterar a coloração da água, pois em um dos vídeos, pescadores comentam que a água esta mais escura. Para este fato, Claumir ressalta a possibilidade de lançamento de algum material no corpo da represa, causando tal alteração e, dependendo da origem do mesmo, até a morte dos peixes.
Por fim, somente análises da água, em laboratório podem indicar se realmente ocorreu lançamento de algum tipo de contaminante, bem como seu potencial poluidor. Em caso de contaminação, tanto a água, como amostras de pescado, podem ser utilizadas para a análise. Em relação a inversão térmica, um monitoramento da quantidade do oxigênio dissolvido na coluna dágua pode contribuir para averiguar o real fator que levou a morte os peixes, segundo o professor.
O caso
Desde segunda-feira (5), vídeos de uma grande quantidade de peixes mortos começaram a circular nas redes, em que pescadores intrigados, levantaram várias hipóteses para a mortandade dos peixes e, até de um veado que apareceu morto às margens do Lago do Manso. As imagens do fenômeno ou acidente com os animais, se espalharam rapidamente e, empresários da região, afirmaram que o caso ocorreu logo após o fim do frio, que chegou a menos de 6º na região de Chapada dos Guimarães e 7º na Região Metropolitana.
Em nota, a Sema ressalta que tomou conhecimento da suspeita da morte de peixes no Lago do Manso e vai verificar a ocorrência. Cabe esclarecer que no vídeo que circula nas redes sociais parece um criadouro particular em tanque rede, que nada tem a ver com a ictiofauna natural da região. Outra observação é que o fenômeno aparenta ser ocasionado por desestratificação térmica, diz trecho da nota.
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Alan Lima - 07/07/2021
Ao Professor, o termo correto e desetratificação térmica e nao inversão termica... Eh Brasil...
1 comentários