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CONTRA DESMATAMENTO 22.03.2026 | 17h00

Frigoríficos terão que garantir isenção de 'lavagem de gado' para vender à Europa

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Divulgação/Frigorífico Astra via Estadão

Divulgação/Frigorífico Astra via Estadão

A Regulamentação Europeia contra o Desmatamento (EUDR) vai dar trabalho para os pecuaristas e frigoríficos de Mato Grosso. Prevista para começar a vigorar em dezembro deste ano, a legislação tem como objetivo evitar que os 27 países membros do bloco comprem carne oriunda de áreas desmatadas. Ao todo, 15 abatedouross do estado são habilitadas para vender carne bovina para a Europa, estes são os únicos frigoríficos credenciados na Amazônia Legal.


“O Código Florestal Brasileiro permite que, a depender do bioma em que aquela propriedade esteja instalada ela tem uma parcela que pode ser desmatada. No entanto, a EUDR vai para além disso e exige que o produto que foi gerado, nesse caso a carne, não tenha sido originado de forma alguma de desmatamento recente de acordo com a data de corte que eles definiram, que é dezembro de 2020”, explicou Camila Trigueiro, pesquisadora do Imazon e Radar Verde.


A diferença entre a lei europeia e a antiga Moratória da Soja é que esta última foi criada por um grupo de grandes empresas e norteava o setor, evitando parcerias comerciais com quem não respeitasse a imposição de não produzir soja em áreas desmatadas após julho de 2008. Já a EUDR tem força de lei.

 

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A pesquisadora afirma que EUDR não vai ser uma barreira aos produtos nacionais porque o Brasil tem um grande potencial para produzir com sustentabilidade. Ela ressaltou que o grande objetivo e também o desafio é impedir o que vem sendo chamado de “lavagem de gado”.


Na prática o que se quer impedir é que um rebanho criado em terra irregulares seja transferidos para uma fazenda sem restrições e que essa carne seja comercializada para um frigorífico habilitado e chegue aos países europeus.


“Como os frigoríficos atualmente só tem a informação basicamente do seu fornecedor direto, que é esse que vem diretamente para o frigorífico, ou seja, a última fazenda pela qual o gado passou, para o frigorífico aparece que está tudo ok, porque ele só tem informação dessa última fazenda, que aparentemente está regular”, explica.


“Nas fazendas anteriores em que o gado passou e que tinham essa irregularidade a informação fica perdida. Não vai ser conhecida pelo frigorífico, uma vez que ele não tem dados ou informações desses fornecedores anteriores ao seu fornecedor direto”, acrescentou.


Na prática, o que a União Europeia quer saber é se a carne que está sendo vendida na região é de gado que pastou em área desmatada. Não importa se o desmate foi legal ou não. Esse foi justamente um dos pontos de fragilidade apontados pelo Radar Verde. A pesquisa identificou que nenhum dos 15 frigoríficos do estado possui auditoria ou evidência robusta que certifique a origem dos animais que são abatidos


O Mercado Europeu é o mais valioso. Em 2025, o bloco importou 128,9 toneladas de carne bovina do Brasil, um aumento de 132,8% em relação ao ano anterior. Dessa forma, faz sentido e é vantajoso para os pecuaristas e frigoríficos de Mato Grosso atenderem às exigências impostas, especialmente porque o estado tem o maior rebanho bovino do país.


“É o mercado que paga melhor por tonelada de carne, então a que vai para o mercado europeu vai com valor agregado e isso é muito vantajoso para os frigoríficos e para o produtor, porque está tendo uma precificação melhor do que está sendo comercializado”, disse Camila Trigueiro.


A ideia defendida pelo Radar Verde é que sejam aprimorados os sistemas de dados que já existem, como os registros de movimentação de gado (GTA), o Cadastro de Propriedade Rural (CAR).


“Os produtores têm que aderir às iniciativas que o governo tem promovido para a identificação individual dos animais, tem que se preocupar em serem mais transparentes ao informarem as questões socioambientais das suas propriedades para que os frigoríficos consigam garantir que o gado que deu origem aqueles cortes que estão sendo comercializados não estavam pastando em áreas irregulares”, concluiu.

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