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LINHA DE FRENTE 01.06.2020 | 07h13

Infectologista conta dura rotina em tempos da covid-19

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Eduarda Fernandes

eduarda@gazetadigital.com.br

João Vieira

João Vieira

A rotina da médica infectologista Zamara Brandão Ribeiro, gestora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, ganhou uma carga a mais de responsabilidade com a chegada da pandemia do novo coronavírus na Capital mato-grossense. Em entrevista ao ela conta como a rotina se tornou ainda mais estressante por causa das exigências de higienização e controle por causa do vírus.

 

 Zamara relata que precisa exercitar um autocontrole rigoroso para não colocar as mãos no rosto, pois, uma vez que ela encosta na máscara, precisa trocar por outra nova imediatamente, mesmo mantendo as mãos sempre higienizadas. "Ainda mais dentro do ambiente hospitalar. A gente corre um risco muito grande não só de se contaminar, mas de ser um veículo para um paciente que vem aqui procurar ajuda. Se não tomarmos todos os cuidados podemos acabar transmitindo para ele".

 

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A cada paciente, toda sua sala precisa ser higienizada. "Eu não tenho medo de jeito nenhum de atender paciente com covid-19. Eu acabo atendendo quase todos aqui. O que me dá medo é de esquecer alguma precaução. Porque até mesmo os grandes nomes da infectologia pegaram. Tenho certeza que eles tiveram muito cuidado, mas deram alguma bobeirinha. E, às vezes, uma bobeira que a gente dá não é nem aqui dentro do hospital. E esses cuidados precisamos tomar, agora mais do que nunca. A doença é grave, principalmente para os grupos de risco. Não é uma gripezinha".

 

À reportagem, ela comenta que o filho mais novo apresentou febre alta e de difícil controle semanas atrás e ela, de imediato, pensou que havia contaminado o próprio filho. Ela e o marido, que também é infectologista, tem dois filhos, de 9 e 10 anos. "Fiz o exame e deu negativo. Meu marido também fez e deu negativo e para a nossa surpresa o nosso filho estava com dengue".

 

A infectologista atribui o aumento no número de pacientes com covid-19 ao relaxamento do isolamento social em Cuiabá. "É uma coisa que, infelizmente, em algum momento ia acontecer. E quando a gente fala da curva tem duas coisas que chamam muito a atenção. O único jeito de a gente não ter um aumento do número de casos é se tivéssemos como testar as pessoas para ver como está a sorologia no nosso meio, mas, infelizmente, não temos como. Porque o número só vai deixar de ser considerável quando tivermos muitas pessoas imunizadas".

 

Neste cenário, a médica entende que a maior parte da população irá se contaminar com o coronavírus e desenvolver um quadro frustro, que é aquele que tem apenas os sintomas de uma gripe, como dor no corpo, mal estar, dor de cabeça, tosse e não gera internação.

 

Segundo a médica, a covid-19, assim como os outros quadros virais respiratórios, é autolimitada, ou seja, tem início, meio e fim, e dura em média de 14 a 21 dias. Além disso, a doença tem um período de incubação que pode durar até 14 dias. "Mas a literatura agora já mostra com muita clareza que a maioria das pessoas que vão desenvolver sintomas, elas desenvolvem nos primeiros 5 dias". Os quadros gripais normais duram geralmente de 7 a 10 "dias, sendo o 4º e 5 º dia os piores. Já na covid-19, o 9º e o 10º dia costumam ser os piores.

 

Ela conta que os pacientes da doença pandêmica procuram o hospital quando os sintomas pioram, quando a febre se torna de difícil controle, a tosse persiste e a falta de ar fica mais intensa e recorrente. "Hoje em dia temos notado sintomas novos que estão chamando muita atenção. Tem muita gente que nos procura relatando alteração do paladar e do olfato. Então esses também são sintomas importantes que tem acontecido nos pacientes com covid-19".

 

A infectologista ensina que o paciente deve se preocupar quando o quadro evolui mal, ou seja, os sintomas pioram a cada dia. "Antes tínhamos casos graves, mas não gravíssimos. Agora já está chegando os casos gravíssimos, principalmente no interior de Mato Grosso". Zamara esclarece que o modo como a doença irá evoluir em cada pessoa não depende dos autocuidados, mas sim do sistema imunológico de cada um. "Tem muitos jovens que acham que se pegarem a doença não irão desenvolver sintomas e por isso não se cuidam, mas eles podem levar a doença para casa e contaminar familiares mais velhos. E temos visto casos graves em jovens também".

 

A médica esclarece que a pessoa que se previne, não transmite para outras pessoas. Ela cita um estudo que demonstra que cada pessoa contaminada infecta outras 6, motivo pelo qual é necessário desenvolver na comunidade o espírito de responsabilidade social. "Não é só eu me cuidar por mim, eu tenho que me cuidar pela minha comunidade. Porque hoje eu posso não precisar de uma UTI, amanhã já não sei. E se cada um não fizer sua parte, as UTIs vão ficar lotadas e nós não vamos ter suporte ventilatório para todos que precisarem".

 

Rotina

No hospital particular em que trabalha há uma equipe médicos clínicos gerais que ficam no pronto atendimento e, quando chega um paciente com suspeita de coronavírus, ela é acionada. "Iniciamos o nosso protocolo de covid-19, que envolve tanto a coleta dos exames, o PCR, o de sangue e o de tórax, que pode ser um raio-x ou uma tomografia. Nosso paciente faz os exames e se ele estiver em bom estado geral, ele já pode ir embora. A gente tem uma equipe que liga para o paciente dando o resultado dos exames. E caso ele não esteja bem, é colocado imediatamente no quarto individual por precaução até verificar se é mesmo um caso de covid-19".

 

Zamara recebeu a equipe do usando uma máscara cirúrgica, mas ao ser acionada para atender um caso suspeito de coronavírus ela precisa colocar o modelo N95, além de todo o paramento médico que a situação requer, que são o óculos de proteção, gorro, macacão impermeável e descartável, avental e luva. Antes de se paramentar, a infectologista precisa retirar seus adereços e a vestimenta.

 

"Porque sempre lembrando que eu preciso me proteger do jeito que o vírus é transmitido, que é através de gotículas respiratórias e agora urina e fezes. Temos que ter cuidado também com banheiro". O cuidado maior deve ser tomado no momento em que o médico se desparamenta, pois a maioria dos profissionais de saúde se contamina quando tira os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

 

Ao encerrar a jornada de trabalho, a médica também precisa seguir procedimentos rigorosos para não se contaminar e não levar a doença para fora do hospital. Depois de lavar as mãos e descartar a máscara, o jaleco precisa ser deixado do avesso. Em casa, ela entra pela porta dos fundos, deixa o calçado do lado de fora, tira a roupa que usou no trabalho e também a deixa do avesso na área de serviço. "As minhas roupas e do meu marido nós lavamos separado das outras pessoas da casa".

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