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Cuiabanos pelo mundo 31.03.2024 | 08h10

Longe da família, jovem de MT celebra Páscoa com amigos na Europa

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Mariana da Silva - Especial para o GD

redacao@gazetadigital.com.br

Divulgação

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Comemorar o domingo de Páscoa envolve passar o feriado com a família. Pesquisa do Instituto Locomotiva e o QuestionPro mostra que 82% dos brasileiros entrevistados irão celebrar a data religiosa, sendo que a maioria prefere confraternizar com um almoço familiar. Para 88% deles, a Páscoa é um momento para se passar com quem se ama.

 

Contudo, quando se está a cerca de 7 mil quilômetros de distância dos entes queridos, alternativas se fazem necessárias para suprir essa ausência e não deixar a data passar em branco. É o caso da jovem Maria Elias, 23, que mora há 3 anos em Portugal, onde estuda. Esta será a terceira Páscoa longe da família durante o tempo em que está fora do Brasil. Uma das viagens mais marcantes que fez foi justamente na Páscoa de 2022, que passou com os amigos na Espanha.

  

Portugal maria elias

Maria Elias e os amigos em viagem a Espanha na Páscoa de 2022

Ela lembra que a viagem foi planejada ainda no Natal do ano anterior. Na época, seu título de residência demorou para sair e com isso não podia sair do país, algo que a deixou apreensiva, mas, no fim das contas, deu tudo certo.

 

Ela e os amigos foram com apenas uma mochila nas costas cada um passar a semana no sul da Espanha, pois a passagem estava muito barata e o valor estabelecia este limite de bagagem. Lá, eles passaram por 3 cidades diferentes: Sevilha, Granada e Córdoba.

 

“Ficamos em um hostel e foi minha primeira viagem só com amigos, então isso também foi muito legal. Andamos mais do que notícia ruim e passamos muito perrengue também. Decidimos ir para 3 cidades pequenas num país extremamente católico na semana da Páscoa. Então tinha inúmeras procissões, as ruas estavam cheias quase como no Carnaval, as pessoas estavam muito arrumadas, tinha umas bandas tocando e muitas estátuas de Jesus (sic)”, recorda.

 

Tamanha festividade causou espanto à jovem, que nunca havia visto algo parecido anteriormente para aquela celebração. Mas assim como na Espanha, em Portugal a Semana Santa é muito famosa por ser um país de tradição católica, principalmente as comemorações de Braga, perto do Porto, onde Maria reside.

 

 

Durante esse período, geralmente os amigos e conhecidos retornam ao Brasil para passar a data com a família, mas para os que ficam, o jeito é se reunir e comemorar juntos. Até mesmo quando os familiares dos amigos vão para o país, a intenção é unir as comemorações para não ficar só e as chances de levar doces e pratos para casa que sobram também são maiores, lembrando bem a forma brasileira de celebrar as datas comemorativas com fartura e união.

 

“Na Páscoa, aqui em Portugal, as pessoas gostam muito de comer bacalhau e ao invés de presentear com o tradicional ovo de Páscoa, eles comem muitas amêndoas banhadas em chocolate ou caramelo. É muito comum isso. Ovo de Páscoa, seja artesanal ou não, essas coisas eu vejo só brasileiro fazendo”, cita.

Acervo pessoal de Maria Elias

maria elias

 

A mudança

Se a obtenção do conhecimento é uma das principais vias para se adentrar o país europeu, este foi o meio que a estudante Maria viu como oportunidade para agregar sua formação, pois sonhava em morar em outro país e expandir os horizontes.

 

Os brasileiros são a maioria dos estrangeiros matriculados nas instituições de ensino portuguesas, seja ao nível básico, secundário ou superior. Dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência para o ano letivo de 2022/2023 apontaram que dos 74 mil estudantes estrangeiros inscritos em diferentes cursos em estabelecimentos de ensino superior em Portugal, cerca de 26% são brasileiros.

 

“Eu sempre quis morar fora e sabia que estudar era uma das oportunidades que eu poderia ter para me estabelecer no país. Então vim para cá quando descobri que o ENEM é válido por 3 anos para tentar entrar numa universidade aqui. Porém, fiquei muito frustrada porque no ano que eu fiz não tinha nem tentado. Eu tinha descartado essa possibilidade e aí depois eu acabei decidindo tentar, pois já tinha um apoio maior para vir”, conta.

 

Segundo Maria, a família recebeu bem a decisão da mudança e até mesmo a incentivou. Para ela, a mudança ocorreu “na cara e na coragem”, pois não conhecia ninguém no novo país, somente um amigo de uma tia que reside em Portugal que a ajudou a obter a documentação. O restante do aparato como estadia, faculdade e outros documentos foi a própria jovem que providenciou.

Acervo pessoal

Portugal maria elias

 

A ida para a Europa ocorreu em meio a pandemia, em 2021. Para Maria, aquele momento pode ser definido como uma loucura. “Eu tinha uma dose de vacina, duas malas e um sonho. Dei um jeito de tomar a segunda dose aqui. Cheguei e fiz quarentena, porque o Brasil tava numa situação complicada em agosto de 2021, então todo mundo que chegasse do Brasil, se não tivesse com o esquema vacinal completo, tinha que fazer 14 dias de quarentena, e aí eu fiz no meu quarto, trancada, mas no final deu tudo certo”, relembra.

 

Atualmente, mora na cidade do Porto, mas a princípio a adaptação não foi fácil. Segundo a estudante, os primeiros 6 meses são decisivos para ver se "aguenta" permanecer ou se vai querer voltar ao país de origem. “É muita coisa para digerir, para você processar”, afirma. Contudo, existe uma grande comunidade de brasileiros no norte de Portugal, o que facilitou este processo. “A comunidade brasileira foi uma das coisas que tornou essa adaptação mais fácil, porque os portugueses são mais fechados. Aqui são bem simpáticos no norte, dá para manter uma conversa e tudo mais, mas fazer uma amizade de fato, você tem que investir muito e eu sou tímida”, conta.

 

Durante o tempo em que está em Portugal, teve a oportunidade de ir para Espanha, Itália e Inglaterra. A possibilidade de conhecer para países próximos é algo que gosta muito, pois é possível viajar para vários lugares sem gastar muito. Uma alternativa é procurar voos e viagens na baixa temporada para os passeios. “Se eu quiser ir para outra cidade ou para outro país, é barato, então é possível viver essa experiência e ver muitas coisas. Cada lugar é completamente diferente e isso é muito legal”, pontua.

 

Além do estudo, a mudança teve influência com a sua pretensão de área de atuação profissional. Antes da mudança, a jovem cuiabana, estudou jornalismo na UFMT dos 18 aos 20 anos, mas não terminou o curso. “Eu não estava muito feliz e fiquei em dúvida com relação a que área seguir. Ainda não sabia se eu queria seguir no jornalismo ou ir para marketing. Mas aqui no curso você aprende de tudo sobre comunicação e no final você tem uma mini especialização que pode escolher entre multimídia, jornalismo e comunicação estratégica, que eles chamam, que seria tipo uma mistura de marketing com relações-públicas. [...] Isso facilita a entrada no mercado de trabalho, porque vou ter um diploma europeu tanto para trabalho aqui, mas também para outros países”, explica.

 

Adaptação ao novo CEP

Ao mudar-se, a princípio Maria teve receio de sofrer algum tipo de xenofobia por ser estrangeira, especialmente brasileira, no novo país. No entanto, ficou surpresa com a receptividade das pessoas e o fato de terem um senso de humor único. Dentre alguns dos choques culturais que teve em relação aos hábitos e costumes portugueses, notou que as faculdades têm um bar dentro delas e vendem cerveja e cigarro. 

 

Acervo pessoal

Portugal maria elias

 

“Por incrível que pareça, eu nunca vi nenhum estudante bêbado dentro da faculdade em plena luz do dia. Foram pouquíssimas vezes que eu vi pessoas bebendo cerveja na faculdade. Fumar eu vejo bastante, porque é o pessoal que fuma muito desde jovem, mas bebendo cerveja acho que só quando tem festa. E também outra coisa, tem festa dentro do prédio da faculdade, são os estudantes que organizam. Tudo que acontece dentro da faculdade é por parte dos estudantes. Não tem projeto de extensão, não tem nada disso”, conta.

 

Sobre as diferenças de temperatura, ela descreve como um clima "bipolar" em Portugal.

 

“Uma hora o céu tá super cinza e tá caindo o mundo e aí do nada vem um sol de fritar ovo no asfalto em questão de 5 minutos. Uma vez eu fui ao mercado e começou a chover, deu 5 minutos e parou. Outra vez voltando da academia, começou a chover granizo, deu 5 minutos e parou também. Então, isso é uma coisa muito engraçada e, ao mesmo tempo, eu gosto do clima daqui, porque você consegue ter experiência de todas as estações do ano, porque é muito bem definido (sic)”, brinca.

 

Dentre as coisas que mais gosta estão o acesso à cultura, devido à grande quantidade de museus, exposições, eventos, shows por um preço baixo e às vezes até mesmo de graça. Já as que menos gosta estão a questão salarial, considerado um dos menores da Europa.

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