Tradição e moda 01.03.2020 | 11h30

eduarda@gazetadigital.com.br
Localizado às margens do córrego Oito de Abril, em Cuiabá, o Mercado do Porto é considerado símbolo de cultural e um dos principais pontos turísticos da Capital mato-grossense. Seus primeiros registros datam da década de 70. Na época, comerciantes e pescadores da Baixada Cuiabana levavam seus produtos e expunham sobre lonas esticadas no chão. Higiene, saúde e qualidade não eram características da antiga feira livre, que funcionava onde hoje é Museu do Rio, no Bairro do Porto.
Hoje, o que chama a atenção é o colorido das prateleiras e a variedade de produtos. Lá se encontra de quase tudo, frutas, verduras, hortaliças, ervas, condimentos, farinhas, carnes, peixes. Até mesmo itens de jardinagem, artesanato, cereais, ração, queijos e doces não faltam. O local conta também com uma ampla praça de alimentação que serve desde o famoso casal cuiabano pastel e caldo de cana, a refeições completas, rodízios de petiscos, caldos quentes, salgados, tapioca, churrasco, peixe frito e muito mais.
Não há uma tabela única de preços. Cada permissionário é quem determina quanto irá cobrar pelo que vende. Ora mais barato, ora mais caro que nos mercados da cidade, o que se tem certeza é da qualidade dos produtos oferecidos, garante o presidente da Organização do Mercado do Porto de Cuiabá, José Ismar de Azevedo Filho. "Nós temos uma qualidade maior dos produtos pelo fato de virem direto do produtor local. Às vezes é mais caro, às vezes mais barato, varia muito", diz em entrevista
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Uma pesquisa interna aponta que, por dia, aproximadamente 4 mil pessoas circulem pelo local, durante a semana. Nos finais de semana esse número salta para 7 mil por dia. O perfil do público é bastante diversificado, mas quem sai na frente mesmo são donas de casa e pessoas em busca de alimentos mais saudáveis. São 176 permissionários que geram em torno de 1 mil empregos diretos. O presidente não revela quanto em valores o mercado movimenta. Diz que há dificuldade em levantar essas informações, pois cada box tem faturamento individual.
O mercado abre ao público às 5h e encerra as atividades 20h. É abastecido em grande parte por pequenos produtores da Baixada Cuiabana. Carnes são fornecidas por frigoríficos da região. Já as frutas, em sua maioria, vêm de São Paulo. Durante o dia todo chegam mercadorias por conta da perecibilidade da maior parte dos alimentos. O local dispõe de quatro banheiros, sendo dois masculinos e dois femininos.
História
Márcio Puga, superintendente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Urbano (IPDU) da Prefeitura de Cuiabá, conta que a construção da estrutura existente ocorreu em 1995 e surgiu de necessidade de organização, questões sanitárias e de saúde. "O mercado, antes feira livre, data da década de 80, 90. Antes já existia, mas tomou força nos anos 80. Naquela época os produtos eram colocados na rua, no chão, tanto hortifruti, quanto carne e peixe. Com aumento da aglomeração de comerciantes e de produção, começaram a surgir problemas sanitários, de qualidade e saúde", comenta.
Em 1995, o então prefeito da Capital José Meirelles deu a ordem de serviço e construiu o atual Mercado do Porto em uma área de 27 mil m². "A partir dai é que surgiu a questão mais cultural. O mercado foi ganhando força, se tornando importante tanto para a questão comercial, quanto cultural e turística de Cuiabá", cita Márcio Puga.
De pai para filha
Mais do que parte da história de uma Cuiabá remota, o Mercado do Porto faz parte da história familiar de muitos dos permissionários que lá trabalham. Não são raros os casos de feirantes, hoje donos de seus próprios negócios, que quando crianças ajudavam seus pais na antiga feira livre. Esse é o caso de Antônio Joaquim da Silva e sua filha Valesca Aparecida, 34. Ambos são donos de restaurantes que atuam lado a lado na praça de alimentação.
Antônio está no ramo desde 1994, quando ainda era a feira livre. Na época, sua filha o acompanhava e o ajudava a vender salgados. "Ensinei ela a trabalhar e ela conseguiu montar o negócio dela e estamos juntos agora. Ela começou mexendo com salgado junto comigo e ia vendendo de banca em banca. Depois ela alugou um ponto e mais tarde acabou comprando o próprio espaço dela. Graças a Deus ela está bem sucedida", fala com orgulho sobre a filha, cuja rotina de trabalho começa às 3h da madrugada.
Dona Analzita Maria da Silva Santos, 53, hoje é proprietária de um box especializado em venda de peixes e está no mercado há 25 anos. Quando criança, era seu pai quem comandava uma pastelaria na feira livre e ela sempre o acompanhava. Depois de adulta, passou a trabalhar com peixe no box de seu sogro, hoje já falecido. "Eu praticamente sustentei meus filhos vendendo na feira. Meus filhos são todos estudados, só tem um que trabalha comigo, mas os outros três cada um tem seu serviço", revela ao
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Filho de feirantes, Izidoro Francisco de Almeida, 53, fala com orgulho que foi trabalhando na feira que conseguiu manter os filhos nas melhores escolas particulares de Cuiabá. Há 30 anos vendendo ervas medicinais, ele viu a feira se tornar mercado. "Esse é o sustento de casa. Da mulher, dos filhos e agora já da terceira geração. Graças a Deus ainda sustento a família com qualidade".
Simone Capestana, 38, está há 20 anos vendendo caldos e refeições variadas no mercado. Ela também acompanhava a mãe desde criança e revela que tem verdadeira paixão pelo que faz. "Na infância eu sempre estava aqui no meio brincando, mas ajudei bastante a minha mãe. Hoje não me vejo fazendo outra coisa, não sei fazer outra coisa, eu gosto disso aqui, eu amo cozinhar", declara.
Obra
Desde que foi construído, o mercado nunca passou por reforma. Partes hidráulicas e elétricas apresentam sinais de deterioração. Em junho de 2017 foi apresentado aos permissionários o projeto do novo Mercado do Porto. "A idéia com a reforma é criar um espaço que reforce a questão cultural", comenta o superintendente. Orçada em R$ 15 milhões, parte da obra será feita com recursos oriundos de emendas parlamentares, equivalentes a R$ 9,5 milhões.
Com estrutura física superior, o novo mercado terá um aumento em seu espaço correspondente a quase 3 mil m². A construção de um amplo espaço cultural trará um leque maior de visitantes, uma vez que o local será o novo palco das mais diversas manifestações artístico-culturais. O projeto prevê também uma extensa praça de alimentação e quantidade de vagas de estacionamento significativamente maior, disponibilizando espaços específicos para motocicletas, carga e descarga e até mesmo ônibus turísticos.
A pedido dos próprios permissionários foi firmado um acordo com a prefeitura para que a reforma ocorra sem que nenhum box precise ser fechado. Isso, obviamente, causa demora na conclusão da obra, que será feita em duas etapas, mas evita o fechamento temporário do mercado. A entrega da primeira parte da obra está prevista para o final deste ano.
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