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EFEITO DO EL NIÑO 23.05.2026 | 15h00

Meteorologista alerta para risco de calor extremo em MT e conta de energia pode ser afetada

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Calor que pode chegar aos 43ºC nos estados do Centro-Oeste e fortes tempestades, especialmente entre os meses de agosto e dezembro. Além disso, há chances de que o fenômeno atinja Mato Grosso de forma “agressiva”, sendo de 80% com pelo menos dois graus acima do normal. Essas são as primeiras previsões meteorológicas para o fenômeno conhecido como El Niño em 2026.


Em entrevista ao , a meteorologista Ana Paula Paes, que é consultora da Energisa Mato Grosso, explicou que o El Niño ocorre devido ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa ao longo da linha do Equador, que se reflete na atmosfera da Terra.


“Esse aquecimento reflete na atmosfera depois de um tempo que ele se formou lá no Pacífico, em torno de 3 meses aproximadamente. E aí a gente começa a perceber a influência dele com o aumento de temperatura, variações no padrão de chuvas. E isso ocorre no globo como um todo”, disse.


Por enquanto, as informações disponíveis são aquelas divulgadas pelo Centro de Previsão Climática da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), publicadas em março. E eles apontam um período fora do comum.


“Ele tem, de fato, a possibilidade de ser um evento extremo, ser o que a gente chama de evento forte ou muito forte”, explicou a meteorologista.


“Tudo indica que o período mais crítico deve ser entre o final de 2026 e o início de 2027, pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, deve ser o período mais crítico”, acrescentou.


“Então, se temos um El Niño forte, a gente vai ter tempestades mais fortes e ondas de calor mais intensas ocorrendo. E no Mato Grosso, inclusive, a gente deve ter mais severidade quando a gente tem o El Niño forte ou muito forte”, acrescentou.


Apesar de ser muito cedo para cravar uma previsão de temperatura, olhando para outros momentos em que o El Niño foi mais severo, nota-se que as ondas de calor chegam a ter cinco graus acima da média no período, especialmente em regiões que são tradicionalmente mais quentes.


“Então, aquele período de setembro, outubro, que é bastante quente na região central do Brasil, se a gente tem uma onda de calor, essas temperaturas podem se aproximar ali de 40 a 43 graus celsius aproximadamente”, observa Ana Paula.

 

Impacto na energia


O calorão também pode afetar o bolso do consumidor. O gerente de construção e manutenção da concessionária de energia elétrica de Mato Grosso, a Energisa, disse ao que o calor pode afetar o valor da fatura mensal de duas formas.


O primeiro é o aumento do consumo, já que as pessoas acionam ventiladores e aparelhos de ar-condicionado com mais frequência durante esse período. Além disso, se houver uma estiagem forte o suficiente para comprometer os reservatórios de água usadas para gerar energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) interfere e muda a bandeira tarifária da cobrança.


“Sempre que há essas mudanças de bandeiras, seja a amarela, verde ou vermelha, nível 1 e nível 2, são decorrentes da análise da Aneel, do índice dos reservatórios de água. E se houver escassez, essa bandeira é instaurada e há sim cobrança adicional”, explicou.


Além disso, as altas temperaturas podem causar danos nos equipamentos usados na transmissão da energia. E as queimadas, que costumam ser frequentes nesse período, também são um risco.


Conforme Anderson Rodrigues, a concessionária adotou duas tecnologias para minimizar esses riscos, inclusive com o uso de um equipamento que escaneia toda a rede da empresa para identificar aparelhos que estejam perto de apresentar dano, o Power Scanner. Já com relação às queimadas, há monitoramento 24h por dia para identificar se há focos de calor nas proximidades do sistema de distribuição.


O acompanhamento teve início em abril e segue até o fim do impacto do fenômeno na região.

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