deu em a gazeta 02.02.2024 | 07h02

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Assessoria/Luiz Alves
O número de óbitos de pacientes internados no Hospital Municipal São Benedito (HMSB) aumentou 86,6% durante o período de intervenção do Estado na saúde de Cuiabá. Ao todo, 196 pessoas perderam a vida entre 15 de março e 31 de dezembro de 2023. No mesmo período do ano anterior, foram registradas 105 mortes.
Os dados fazem parte do relatório situacional da Secretaria Municipal de Saúde pós intervenção, divulgado nesta quinta-feira (1º). “Transformaram o Hospital São Benedito em câmera de gás. Cometeram assassinato em massa, as pessoas eram enviadas à unidade para morrer. Isso não vai ficar impune, vou pedir para investigar todos os óbitos, pois os pacientes não foram regulados de maneira correta, tudo isso foi feito para baratear custos”, afirmou o prefeito Emanuel Pinheiro ao receber o relatório do secretário de Saúde, Deiver Teixeira.
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Gestor assistencial do hospital, Pioter Ferreira explicou que os pacientes eram encaminhados à unidade erroneamente. “A intervenção sabia que lá não tratava determinadas especialidades. Ao invés de regularem os pacientes aos hospitais referenciados ao tratamento das patologias, optaram em deixar os pacientes sem assistência adequada no Hospital São Benedito até ocorrer o encaminhamento para as unidades especializadas”.
Segundo Pioter, o Hospital São Benedito, antes da intervenção, era referencia em ortopedia, traumatologia e neurocirurgia. “Foi mudado o perfil do hospital, que passou a funcionar como demanda aberta, ou seja, deixou de ser referência para essas especialidades. Mesmo com a mudança do perfil de atendimento, os pacientes graves eram admitidos, pois a unidade ficou funcionando como retaguarda até a transferência. Nesse período, chegou a morrer até 5 pacientes em um único dia porque o hospital não tinha estrutura e porque deixou de realizar cirurgias de alta complexidade. Apenas procedimentos cirúrgicos de baixa complexidade eram feitos na unidade”.
Pioter ressalta que os procedimentos cirúrgicos de alta complexidade foram concentrados somente no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). “Esses pacientes deveriam ser regulados diretamente para o HMC. O fato de não terem recebido a assistência adequada no São Benedito potencializou os óbitos. É um erro de gestão que não foi corrigido”.
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