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torneio de pesca só delas 28.06.2026 | 13h00

Mulheres transformam pescaria em espaço de amizade e acolhimento no Pantanal

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Gabriela Ramos - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Reprodução

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O que por muito tempo foi visto como um ambiente predominantemente masculino ganha cada vez mais a presença feminina. No Pantanal mato-grossense, mulheres estão descobrindo na pescaria muito mais do que um hobby. Elas encontraram um espaço de acolhimento, amizade, superação e liberdade.

 

Às margens do rio, em uma região onde a economia gira em torno do turismo e da pesca, nasceu um movimento que vem conquistando mulheres de diferentes idades e perfis. O grupo Pantaneiras Originais, criado em 2023 por Andressa Caroline Padilha da Silva, surgiu com a proposta de reunir mulheres apaixonadas pela natureza e pela pescaria.

 

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Ribeirinha, nascida e criada na região, Andressa cresceu acompanhando a rotina da família, que sempre trabalhou com turismo e pesca. Apesar de viver nesse universo, ela percebia que a maioria dos visitantes era homem.

 

"Quando comecei a perceber a chegada de mais mulheres à região, tive a ideia de criar um torneio para reunir todos esses grupos femininos”, relembra.

 

A primeira edição do torneio, realizada em 2025, reuniu 86 participantes. Neste ano, a procura surpreendeu: já são 237 inscritas e a intenção é fazer esse número dobrar. A empresária também conta que fica super feliz quando outros grupos femininos de pesca esportiva participam da competição.

 

E, além de tudo isso, ela faz questão de ressaltar que esse movimento de pescaria feminina não surgiu para competir com os homens, mas para agregar. Ser um espaço de lazer e empoderamento para as mulheres.

 

"As mulheres descobriram que a pescaria é prazerosa. Não é só pegar peixe. É passear de barco, apreciar o pôr do sol, observar os animais, conhecer pessoas e viver momentos especiais. A pescaria virou um evento e a mulherada está tomando conta", brinca.

 

Apaixonada pela pesca


A jornalista e pescadora Jô Aiko é uma das mulheres que encontraram na pescaria um novo jeito de viver. Ela conta que, a princípio, o interesse surgiu por influência do marido, mas que depois ela se apaixonou.

Arquivo pessoal

Pantaneiras originais

 


"Sempre tive contato com rio, mas não gostava de pescaria. Foi depois que me casei que comecei a praticar e passei a gostar. A motivação foi justamente ter mais momentos ao lado do meu companheiro", conta a comunicadora.


Com o tempo, a atividade ganhou outros significados para ela, pois proporcionava momentos de lazer na companhia do esposo, pai e do filho caçula. Quando surgiu a oportunidade de participar de um evento exclusivamente feminino, ela não pensou duas vezes.


"Chamei minha filha e minha cunhada e fomos participar. Na época, eu estava me sentindo um pouco para baixo, mas, depois de participar do evento, retornei para casa feliz e empolgada", relembra.

Reprodução Jô Aiko

Pantaneiras originais

 


Para Jô, o sentimento de empoderamento não está ligado ao poder ou ao dinheiro.


"Para mim, empoderamento significa liberdade, tranquilidade e paz emocional."

 

Ela afirma que a pescaria trouxe benefícios emocionais e um sentimento de pertencimento.


"Tenho orgulho de praticar a pesca sem precisar de ajuda masculina", diz, entre risos.


E para quem ainda tem receio de participar de uma pescaria, Jô deixa um conselho:

"Experimentem primeiro e tirem suas próprias conclusões. O sentimento ao fisgar um peixe é uma mistura de nervosismo, alegria e orgulho. É uma experiência única", afirma. 

 

Quebrando preconceitos


Andressa revela que, apesar do crescimento do movimento, no início, ela teve que enfrentar resistência e persistiu no que ela tanto queria. 


"Quando comecei a reunir as meninas, ouvi muitas críticas, principalmente de homens. Diziam que isso não era coisa de mulher, que não ia dar certo", relata.

 

Mas as críticas não a fizeram desistir, pelo contrário, isso foi motivo de força para ela fazer esse evento dar mais que certo.

 

"Persistência define a minha trajetória. Sempre acreditei no projeto e continuei. E foi a melhor coisa que fiz, pois hoje vejo que ele está transformando vidas", alega.

 

Após a primeira edição do torneio, Andressa se emocionou ao ouvir relatos de participantes.

"Várias meninas vieram me abraçar e agradecer. Algumas disseram que estavam machucadas emocionalmente e que aquele momento serviu para renovar as energias. Isso me marcou muito", relembra.


Um evento para fortalecer a economia local

 

Além de incentivar a participação feminina, o torneio também ajuda a movimentar a economia da região.

A competição acontece em julho, período considerado de baixa temporada no turismo, justamente para impulsionar as vendas e atividades da região.

 

"O nosso objetivo é fomentar a economia local. Fizemos parceria com diversos pesqueiros e pousadas para receber as participantes com conforto e qualidade". diz.

 

Neste ano, o evento será realizado entre os dias 17 e 19 de julho e contará com música ao vivo, atrações culturais e ações de conscientização.

 

"Nós vamos falar sobre violência contra a mulher, abuso infantil e sobre a preservação ambiental e o descarte correto do lixo", divulga.

 

A intenção é fazer com que o torneio seja um espaço não apenas de lazer, mas também de informação e transformação social.

 

Convite para conhecer o Pantanal

 

Andressa aproveita para fazer um convite não só para mulheres, mas para todos que têm interesse em conhecer a beleza do Pantanal. 

 

"Quero que as pessoas venham conhecer o Pantanal. É um lugar maravilhoso, uma riqueza que muitas vezes nem quem mora perto conhece", convida.

 

Ela acredita que a região ainda precisa de mais investimentos e visibilidade, mas vê no turismo e em iniciativas como as Pantaneiras Originais uma oportunidade de desenvolvimento.

 

"Queremos despertar nas pessoas o desejo de conhecer esse lugar e mostrar que aqui existe muito mais do que pesca. Existe cultura, natureza, acolhimento e histórias inspiradoras."

 

Para ela, a maior lição da pescaria é simples e valiosa. "Existem momentos de pausa mental que recarregam as energias e renovam a alma." 

 

Informações sobre o torneio pelo perfil @Pantaneirasoriginais_ PANTANEIRAS ORIGINAIS 

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