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Entrevista da Semana - A | + A

CÂNCER NO SANGUE 28.06.2026 | 07h00

Sinais da leucemia podem ser confundidos com gripe; médica faz alerta

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Vithória Sampaio

redacao@gazetadigital.com.br

Reprodução

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Junho é o mês dedicado à conscientização sobre a leucemia, um tipo de câncer que afeta a medula óssea, responsável pela produção das células do sangue. A doença é classificada em 4 tipos principais, conforme a velocidade de evolução aguda ou crônica e o tipo de célula atingida, podendo ser mieloide ou linfoide.

 

Os primeiros sintomas costumam ser confundidos com infecções comuns ou gripes, o que pode atrasar o diagnóstico. No entanto, quando persistem, merecem atenção médica. Entre os principais sinais estão: fadiga e fraqueza, febre constante, sangramentos frequentes e hematomas sem causa aparente, além do inchaço dos gânglios linfáticos (ínguas), além do aumento do fígado ou do baço.

 

Em entrevista ao , a médica pediatra onco-hematologista Aillyn Bianchi, coordenadora do Serviço de Oncologia Pediátrica do Hospital do Câncer de Mato Grosso, esclareceu dúvidas sobre o transplante de medula óssea e a importância da doação de sangue, que podem representar uma nova oportunidade de vida para pacientes em tratamento.

 

Gazeta Digital - Quais sintomas devem servir de alerta para a população?

 

Aillyn Bianchi - Os principais sinais aparecem porque a medula deixa de produzir adequadamente as células do sangue. Entre eles estão palidez, cansaço excessivo, fraqueza, febre persistente ou infecções recorrentes, manchas roxas sem causa aparente, sangramentos nasais ou gengivais, dores ósseas persistentes, aumento dos gânglios, crescimento do fígado ou do baço, perda de peso e piora do estado geral. Nas crianças, muitas vezes o primeiro sinal é uma mudança de comportamento. Elas ficam mais prostradas, irritadas, deixam de brincar e demonstram um cansaço incomum.

 

Gazeta Digital  - Como diferenciar sintomas comuns dos sinais da leucemia?

 

Aillyn Bianchi - Muitos sintomas podem ser confundidos com viroses ou outras doenças frequentes, principalmente na infância. O que chama atenção é quando eles persistem, pioram ou aparecem associados. Uma febre prolongada sem explicação, palidez progressiva, manchas roxas espontâneas, dores ósseas intensas e queda importante do estado geral merecem investigação médica. A intenção não é gerar medo, mas incentivar que sinais persistentes sejam avaliados.

 

Gazeta Digital  - Como é feito o diagnóstico?

 

Aillyn Bianchi - O primeiro exame costuma ser o hemograma, que pode indicar anemia, alterações nas plaquetas, nos leucócitos ou até a presença de células imaturas chamadas blastos. Quando existe suspeita, é realizado o mielograma, exame que analisa diretamente a medula óssea. Também são feitos exames de imunofenotipagem, genética e biologia molecular para identificar exatamente o subtipo da leucemia e definir o tratamento mais adequado.

 

Gazeta Digital  - A doença pode atingir qualquer idade?

 

Aillyn Bianchi - Sim. A leucemia pode ocorrer desde bebês até idosos. Na infância e adolescência, é o câncer mais frequente. Apesar de ser um diagnóstico que assusta, a medicina evoluiu muito e alguns tipos de leucemia infantil apresentam hoje altas taxas de cura quando descobertos precocemente.

 

Gazeta Digital  -  Existem fatores de risco conhecidos?

 

Aillyn Bianchi - Na maioria dos casos, especialmente em crianças, não há uma causa específica identificada. A origem costuma estar relacionada a mutações genéticas que acontecem espontaneamente. É importante destacar que os pais não devem se sentir culpados. Na maior parte das vezes, não existe relação com alimentação ou algum cuidado que deixou de ser tomado. Alguns fatores podem aumentar o risco, como síndromes genéticas, exposição à radiação, tratamentos prévios com quimioterapia e alterações imunológicas, mas representam uma parcela pequena dos casos. Nos adultos, fatores como tabagismo, consumo excessivo de álcool e outros hábitos nocivos podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

 

Gazeta Digital  - Quais são os tratamentos disponíveis atualmente?

 

Aillyn Bianchi - O tratamento varia conforme o tipo da leucemia, a idade e as características de cada paciente. A quimioterapia continua sendo uma das principais formas de tratamento, especialmente nas leucemias agudas. Além dela, atualmente existem terapias-alvo, imunoterapia e anticorpos específicos, que tornam o tratamento mais preciso. O acompanhamento também envolve uma equipe multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, dentistas e assistentes sociais.

 

Gazeta Digital  -  Quando o transplante de medula óssea é necessário?

 

Aillyn Bianchi - Nem todos os pacientes precisam de transplante. O procedimento é indicado para casos específicos, geralmente quando a doença apresenta características de alto risco, responde pouco ao tratamento inicial ou reaparece após um período de remissão. A decisão depende de diversos fatores, principalmente das alterações genéticas da leucemia e da resposta do paciente ao tratamento.  

 

Gazeta Digital  -   Qual é a importância da doação de sangue e do cadastro de doadores de medula óssea?

 

Aillyn Bianchi - A doação de sangue é essencial porque muitos pacientes com leucemia precisam de transfusões frequentes durante o tratamento. Já o cadastro de doadores de medula óssea é simples: basta procurar um hemocentro e realizar uma coleta de sangue para identificar as características genéticas. Caso surja um paciente compatível, o voluntário é chamado para avaliação. Quanto maior o número de cadastrados, maiores são as chances de encontrar um doador compatível.

 

Gazeta Digital  - Que mensagem a senhora deixa neste mês de conscientização sobre a leucemia?

 

Dra. Aillyn Bianchi - A principal mensagem é que informação salva vidas. Conhecer os sinais de alerta permite que o diagnóstico seja feito mais cedo e aumenta as chances de sucesso no tratamento. Também é importante transmitir esperança. A leucemia é uma doença grave, mas os avanços da medicina têm proporcionado tratamentos cada vez mais eficazes e muitas histórias de cura. Nenhum paciente enfrenta essa batalha sozinho. Existe uma equipe inteira preparada para caminhar ao lado do paciente e de sua família durante todo o tratamento. 

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