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JUSTIÇA POR OLIVER 29.03.2026 | 17h10

'Não aprendi a viver sem ele'; o luto e a luta de uma mãe que perdeu o filho por negligência médica

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Vithória Sampaio

redacao@gazetadigital.com.br

Reprodução

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“Eu não aprendi a viver sem ele, só estou tentando sobreviver”. Esse é o desabafo de Cassiana Camargo de Ferreira, 37, que enfrenta o luto diariamente após perder o filho por negligência médica. Prestes a completar um ano da morte do pequeno Oliver Camargo de Melo, ela ainda tenta aprender a conviver com a dor da ausência. Entre lembranças e saudade, Cassiana afirma que segue vivendo não por escolha, mas por necessidade. Hoje, sua luta é para que outras mães não passem pela mesma dor profunda de perder um filho. Oliver tinha apenas dois anos.

 

Mãe de três meninos, ela conta que precisou mudar completamente a rotina para seguir em frente. Antes dedicada exclusivamente aos filhos, hoje trabalha como secretária e cursa a faculdade de Marketing, em uma tentativa de manter a mente ocupada e atenuar o vazio deixado por Oliver em casa.

 

“O trabalho é uma válvula de escape, me ajuda a não ficar o tempo todo em casa, porque é lá que a dor aperta mais. O silêncio é difícil, frio e vazio. Mas, quando retorno e a noite chega, é quando eu desabo. É quando tudo vem à tona e a saudade castiga. Durante o dia, tento me manter de pé, mas a dor nunca vai embora”, relata a mãe ao .

 

Oliver faleceu aos dois anos e 11 meses, apenas 18 dias antes do seu terceiro aniversário. Cassiana sustenta que houve negligência grave no atendimento hospitalar.

 

“Meu filho nasceu com megacólon congênito e sempre foi acompanhado. No dia 20 de julho, ele passou mal com dores abdominais e o levei ao hospital do município. Mesmo ciente do histórico, o médico não solicitou exames, o soro demorou e não havia pediatra disponível. Ele piorou ao longo das horas e decidi levá-lo para outra cidade. Quando chegamos, ele já estava em estado grave, com infecção generalizada e choque. O Oliver morreu na madrugada do dia 21”, relembra.

 

A perda repentina deixou marcas profundas. “Sinto falta dele em cada minuto. Tudo o que faço, penso nele”, afirma. Diante da tragédia, ela transformou o luto em propósito: busca justiça para que nenhuma outra família sofra o mesmo. Cassiana moveu uma ação por danos morais e materiais contra o médico e o hospital, além de criar um movimento nas redes sociais para dar visibilidade ao caso.

 

Ao lembrar do filho, ela o descreve como um "sopro de luz". “Desde o nascimento, ele me ensinou o significado de coragem e fé. Mesmo com as dificuldades, sempre irradiou amor. Meu bebê me ensinou a ser forte”, finaliza.

 

MP aponta falhas e afirma que morte poderia ter sido evitada
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) acionou a Justiça contra a Prefeitura de Paranatinga após a morte da criança, registrada em julho de 2025 no Hospital Municipal. Na ação, o órgão requer uma indenização mínima de R$ 500 mil por dano moral coletivo, além da adoção de medidas urgentes para reestruturar a unidade de saúde.

 

Segundo o MP, a morte era evitável. Um laudo técnico apontou falhas graves, como demora no atendimento, falta de preparo da equipe e ausência de protocolos básicos para casos de urgência. As investigações também identificaram que um dos médicos de plantão não possuía autorização válida para atuar em Mato Grosso no momento do atendimento, fato que motivou a abertura de um procedimento no Conselho Regional de Medicina (CRM).

 

De acordo com a promotoria, o hospital apresenta problemas estruturais crônicos, incluindo a ausência de atendimento pediátrico regular, falhas no encaminhamento de pacientes graves e deficiência na fiscalização do contrato de gestão. A ação pede que a Justiça obrigue o município a implantar protocolos de emergência, capacitar equipes e garantir atendimento médico contínuo. O caso segue em análise judicial e ainda não há decisão. Saiba mais no perfil dedicado à causa.

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