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JORNADA DA FOME 28.07.2021 | 15h26

'Nem lembro mais o que é carne', diz idoso na fila do osso; veja relatos de dificuldades

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Luiz Leite

Luiz Leite

“Carne? (risos) nem lembro mais o que é carne. Faz muito tempo. Só vejo carne quando venho aqui pegar ossinho”, comenta em meio ao riso nervoso o idoso Natalício Campos Leite. Desde que soube da doação realizada pela casa de carne no bairro CPA 2, o morador do Pedra 90 encara jornada de 2 horas para ir, mais 2 para voltar e garantir o incremento no sustento da família.


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Nesta quarta-feira (28), em meio à fila que só aumenta, a primeira-dama do Estado, Virginia Mendes, foi até o local e organizou um mutirão para distribuição de cobertores, cestas básicas, junto com os ossinhos, mas Natalício chegou atrasado. Por volta do meio-dia, tudo já tinha acabado. Para não voltar para casa de mãos abanando e deixar o prato vazio, o pessoal do açougue conseguiu um pacote com algumas doações.


A ajuda não vem só para a alimentação. Com dificuldades para enxergar, o idoso pede ajuda para pegar o ônibus certo no Pedra 90 e chegar até o CPA. Aposentado, ele já foi operador de máquina e trabalhou em vários outras áreas, mas agora só consegue pequenos bicos que ajudam no sustento da família de 7 pessoas.

 


“Com essa doença aí até fazer bico está difícil. O que a gente faz é vender uma coisinha, fazer um salgado e vender na rua. Assim a gente vai levando. Eu enxergo muito pouco, só o suficiente para andar. Mas tem que seguir, né?. Senão quem vai andar pela gente?”, narra.

 

Luiz Leite

Fila dos ossinhos

 

Sentada na calçada, encostada no poste de luz, a idosa Maria Aparecida Fernandes Silva, 78, espera a amiga para irem embora. Ela vive sozinha e foi ao local após descobrir sobre a doação de sacolões. Aposentada, a mulher divide o salário entre as despesas da moradia, alimentação e remédios.


Ambas chegaram tarde e não conseguiram pegar os ossos, porém os alimentos não perecíveis já irão ajudar no sustento por alguns dias.


“Eu estou doente. Tenho úlcera no estômago, tenho depressão. Eu trato e tem dias que estou bem, outros não. Eu perdi toda minha família”, chora a idosa. Viúva, ela mora sozinha e relata que perdeu toda a família em diferentes circunstâncias. Outros familiares a convidaram para que morasse com ele, mas ela não quis. Não se sente bem. Conta com a amiga, doações e tratamento psicológico oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para enfrentar os dias mais difíceis.


A idosa Tereza Rodrigues, 78, cria 3 netos com o salário mínimo que recebe da aposentadoria. Pagando aluguel, remédios e despesas com as crianças, o que sobra mal dá para comprar o básico da alimentação. Ela soube por uma amiga sobre doação e foi ao local tentar pegar o ossinho para incrementar as refeições.


“Tem que pagar água, luz, aluguel. Esse sacolão vai ajudar muito. Com um salário mínimo e tudo caro, não dá para comprar nada”, alega a aposentada.

 

Luiz Leite

Fila dos ossinhos

 

Marina Costa de Camargo tem 8 filhos e recebe o Bolsa Família. Desempregada por conta da pandemia, ela faz bicos como faxineira e consegue receber cerca de R$ 450 por mês. A renda é a única para manter a casa.


Ela recebeu cesta básica e isso tem que dar para sustentar a família no decorrer do mês. Tudo é regrado para que todos possam comer um pouco. Ela conta que recebeu apenas uma parcela do auxílio emergencial oferecido pelo governo federal com objetivo de ajudar quem ficou sem trabalho devido à pandemia.


Assistência Social
Na semana passada, equipe da Prefeitura de Cuiabá esteve no local fazendo levantamento das pessoas que eram cadastradas em programas de ajuda do município.


Na manhã desta quarta-feira, a assistência social e a primeira-dama Virginia Mendes promoveram a distribuição das cestas básicas e cobertores para aquecer as famílias carentes nos dias frios que se aproximam.

 

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Comentários

joao - 29/07/2021

muita conversa fiada desse povo, tem muito deles que só bebem cerveja puro malte no fim de semana e estão na fila!!!!

1 comentários

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