corrida contra o tempo 18.08.2026 | 15h50

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Divulgação
Aos 6 anos, Melissa Emorge de Arruda, de Cuiabá, enfrenta uma batalha pela vida à espera da doação de um coração. A menina está intubada e recebe suporte por ECMO, tecnologia que auxilia temporariamente as funções do órgão e dos pulmões em quadros graves. Em meio à angústia, os pais, Angelita e Wesley Arruda, iniciaram uma campanha de conscientização sobre a doação de órgãos e pedem que a história da filha seja compartilhada.
Segundo a mãe, Melissa sempre teve uma rotina saudável e ativa. Praticava atividades físicas, incluindo muay thai e jiu-jitsu, até que, em maio, uma infecção viral começou a mudar a rotina da família. Inicialmente, a criança não apresentou sintomas que chamassem a atenção.
“A Melissa tem seis anos, nós somos de Cuiabá e ela sempre foi uma criança saudável, ativa, praticava atividade física, muay thai, jiu-jitsu. No mês de maio, ela teve uma infecção viral, mas nem apresentou sintomas. Na verdade, a gente descobriu que tinha alguma coisa que não estava bem porque ela teve um episódio de desmaio”, relata Angelita.
O fato levou a família a procurar atendimento médico. De acordo com a mãe, os profissionais que prestaram os primeiros socorros levantaram a possibilidade de um problema cardiológico ou neurológico. A partir dali, começaram os exames para descobrir o que havia provocado o desmaio.
“Alguns dias depois, fizemos exames e foi detectado que ela estava com uma miocardite e que o coração dela estava dilatando”, conta.
Melissa precisou ser internada diretamente em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu por 12 dias. Durante a internação, a investigação médica apontou, segundo relato da mãe, uma infecção por parvovírus associada ao comprometimento cardíaco.
"Ela já foi internada direto na UTI e apresentou uma melhora durante esse internamento. Eles fizeram um rastreio e descobriram que era pelo parvovírus. É um vírus simples, mas que, em alguns casos, como foi o caso da Melissa, ataca o tecido cardíaco”, explica Angelita.
Após apresentar melhora, a menina recebeu alta da UTI e passou a ser acompanhada regularmente por cardiologista, além de continuar o tratamento medicamentoso. A tranquilidade, no entanto, durou pouco.
“Quando ela recebeu alta da UTI, estava apresentando melhora e a gente estava fazendo acompanhamento com medicação e visitas semanais ao cardiologista. Porém, o médico dela identificou que ela estava apresentando uma piora. Ela vinha de um quadro de melhora e começou a piorar. Foi aí que ele nos encaminhou para Curitiba”, relembra a mãe.
Agora, com Melissa intubada e em ECMO, a família vive dias de espera e transforma o momento delicado em um chamado coletivo pela vida. Na campanha divulgada nas redes sociais, Angelita e Wesley pedem que as pessoas conversem com suas famílias sobre a doação de órgãos e compartilhem a história da menina.
O que é a ECMO?
ECMO é a sigla para Oxigenação por Membrana Extracorpórea, uma tecnologia de suporte utilizada em pacientes em estado grave quando coração e/ou pulmões não conseguem desempenhar adequadamente suas funções.
O equipamento retira o sangue do organismo, promove sua oxigenação e a retirada de gás carbônico e depois o devolve ao paciente. Dependendo da modalidade empregada, também pode fornecer suporte circulatório. Dessa forma, a tecnologia pode dar tempo para que o organismo se recupere ou para que a equipe médica defina outras estratégias terapêuticas.
No caso de Melissa, a ECMO representa o suporte utilizado enquanto ela segue lutando contra as consequências do comprometimento cardíaco.
Doação de órgãos: uma conversa que pode salvar vidas
A campanha da família também chama atenção para uma questão fundamental no Brasil: a decisão sobre a doação de órgãos precisa ser conhecida pelos familiares.
Segundo o Ministério da Saúde, órgãos como coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas e intestino podem ser doados, além de tecidos como córneas, pele, ossos, tendões e valvas cardíacas. O processo brasileiro é coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
No caso da doação após a morte, a autorização familiar é indispensável. Por isso, a orientação do Ministério da Saúde é que quem deseja ser doador manifeste essa vontade aos parentes. Não basta apenas ter o desejo de doar: conversar sobre o assunto aumenta a possibilidade de que essa decisão seja respeitada pela família.
É justamente essa mensagem que os pais de Melissa tentam fazer chegar a outras casas enquanto acompanham a filha em um dos momentos mais difíceis de suas vidas. Na campanha, eles resumem o apelo em poucas palavras: “Seja doador. Fale com sua família. Diga sim à vida”.
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